Radar de recomendações

CSN tem recomendação rebaixada pelo Morgan após alta de 100%: confira as recomendações que agitaram esta 4ª

Carrefour Brasil teve a recomendação reduzida por dois bancos, enquanto Alpargatas foi rebaixada pelo Bradesco BBI e Guararapes foi elevada pelo HSBC

SÃO PAULO – Centauro (CNTO3) elevando a oferta pela Netshoes na disputa contra o Magazine Luiza (MGLU3), uma (grande) fatia do Pão de Açúcar (PCAR4) na Via Varejo (VVAR3) sendo vendida para Michael Klein. O noticiário corporativo desta quarta-feira (12) é bastante movimentado mas, além dessas notícias, muitas recomendações de ações têm agitado o mercado. 

Em destaque, esteve o relatório do Morgan Stanley, que reduziu a recomendação para a ação da CSN (CSNA3), a maior alta do Ibovespa em 2019 com ganhos superiores a 100%, levando a uma forte queda dos ativos nesta sessão. Usiminas (USIM5) também teve a recomendação revisada para baixo, enquanto Gerdau (GGBR4) segue a preferida do setor pelo banco. 

Uma ação que também reflete as recomendações é o Carrefour Brasil (CRFB3), que teve a recomendação reduzida pelo HSBC e pelo Bradesco BBI para equivalente a neutra, ambos possuindo preço-alvo de R$ 24, enquanto Guararapes (GUAR3) foi elevada pelo HSBC para manutenção com preço-alvo de R$ 16,50. Confira abaixo as revisões de recomendações dos analistas para essas ações (e os motivos para essas mudanças):

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Morgan Stanley reduz recomendação de Usiminas e CSN

A decepção com o crescimento da economia brasileira foi um dos fatores para que Carlos Alba, Eduardo Bordalo e Jens Spiess, do Morgan Stanley, revisassem as recomendações para os preços do aço e, consequentemente as recomendações para Usiminas e CSN, para baixo.

A equipe de análise reduziu a recomendação dos ativos USIM5 e CSNA3 para equalweight (exposição em linha com a média do mercado), enquanto Gerdau seguiu com recomendação overweight (exposição acima da média do mercado), apontando que as condições mais difíceis para a demanda diminuem o poder de precificação das siderúgicas com relação ao aço. O preço-alvo para os ativos da Usiminas foi reduzido de R$ 11,50 para R$ 9, enquanto a CSN teve o target elevado de R$ 15 para R$ 16,60. 

Nos primeiros quatro meses de 2019, a demanda por aços planos e longos diminuiu 1% e 3% respectivamente na base anual, 
desempenho abaixo da expectativa, ainda mais levando em conta o cenário de que o consumo total de aço melhoraria em 2019.

“As incertezas em torno da aprovação da reforma da Previdência do Brasil levaram a uma atividade mais fraca no início do ano, pesando sobre a confiança e o crescimento”, avaliam Alba, Bordalo e Spiess.

Com isso, a equipe de economistas do banco cortou as suas previsões do PIB para 2019 de crescimento de 1,4% para 0,8% e para 2020 de 2,5% para 2%. Assim, foram reduzidas também as estimativas de crescimento da demanda para aços planos de alta de 4,3% para leve baixa de 0,2%, enquanto para aços longos foi reduzida de alta de 2,7% para queda de 2,1%. 

Para a Usiminas,  a equipe de analistas ressalta que o consumo de aço deve voltar quando a confiança e os estoques de automóveis estiverem de volta aos níveis normais. A Usiminas tem alta exposição ao mercado interno de aço do Brasil (87% dos embarques totais de aço contra 66% da CSN e 38% de Gerdau) e, desta forma, deve enfrentar trimestres desafiadores à frente, o que deve se somar ainda ao alto plano de investimentos de R$ 1 bilhão da companhia nos próximos três anos. 

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Já para a CSN, o Morgan destaca que a ação teve um forte rali em 2019 e, com o aumento do preço do minério de ferro,  superou significativamente o Ibovespa e seus pares. O segmento de mineração tem sido um importante contribuinte para
resultados consolidados, representando 72% do Ebitda da CSN no primeiro trimestre de 2019 versus 34% no mesmo período do ano passado. Contudo, veem o risco-recompensa para os preços do minério baixo, enquanto as condições para o mercado doméstico são um segundo revés para os resultados consolidados. 

“A empresa está fazendo progressos em seu plano de desalavancagem, mas gostaríamos que a empresa fechasse outra venda de ativos (por exemplo, usinas de aços longos na Alemanha e ações da Usiminas)”, afirmam os analistas. 

Sobre Gerdau, cujo preço-alvo foi reduzido de R$ 19,50 para R$ 17,50, o Morgan Stanley aponta que, embora acredite que o preço do aço longo seja afetado pela desaceleração da economia brasileira, os preços da sucata já caíram cerca de 19% em relação aos níveis de dezembro,  enquanto os preços domésticos de aços longos subiram 3%, suportando as margens da Gerdau.

Em segundo lugar, os  preços do aço longo nos EUA seguem em níveis elevados, e a gestão da siderúrgica acredita que há espaço para reduzir custos suas operações no país. Já com relação ao terceiro ponto, eles estão mais otimistas para os aços longos. Por último, a Gerdau tem um balanço relativamente sólido e melhorou a lucratividade de sua carteira de negócios após concluir seu programa de venda de ativos.

Carrefour Brasil: recomendação reduzida por dois bancos

O Carrefour teve a sua recomendação reduzida para neutra tanto pelo Bradesco BBI quanto pelo HSBC, com ambas as casas projetando um preço-alvo de R$ 24. Em relatório, os analistas do Bradesco BBI, liderados pelo Richard Cathcart, o rali de 28% no acumulado do ano até a última terça-feira já precificou os avanços da varejista e que a expansão acelerada do Atacadão, o momentum mais forte dos hipermercados e o avanço do e-commerce estão bem refletidos no preço atual dos papéis. 

Conforme apontam os analistas do banco, o Atacadão continua sendo um dos formatos mais atrativos do varejo do mundo, mas o potencial de crescimento já aparece no preço dos ativos. Além disso, os formatos de varejo estão se fortalecendo.

“Os hipermercados do Carrefour tiveram um ano difícil em 2018, mas esperamos ver o crescimento acelerar no segundo trimestre até o final do ano devido a iniciativas implementadas no ano passado, como o reposicionamento de preços nas lojas que estavam localizados perto das lojas cash & carry (atacarejo) dos concorrentes. O recente anúncio de uma parceria piloto com o Magazine Luiza é um sinal positivo de como a administração está inovando a fim de manter uma operação saudável de hipermercados”, avaliam.

No entanto, embora o impulso esteja uma tendência de melhora, os analistas apontam que o crescimento não deve acelerar o suficiente nos próximos 6 a 12 meses para justificar um aumento significativo nas estimativas para os papéis. Uma possível revisão para cima viria de um desempenho melhor do que o esperado no e-commerce. 

O HSBC também aponta em relatório ter reduzido a recomendação para Carrefour após a sólida recuperação no ano, que fez com que a ação da companhia refletisse o seu perfil de crescimento e de ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido). 

Alpargatas (ALPA4): incertezas no exterior

A Alpargatas teve a sua recomendação reduzida também pelo Bradesco BBI para neutra, com preço-alvo de R$ 18, após a alta de 32% no acumulado de 2019. De acordo com os analistas do banco, a expansão internacional pode ser uma fonte para aumentar as perspectivas para as ações da companhia. Contudo, o crescimento tem desapontado nos últimos anos, com os volumes vendidos passando de um pico de 35 milhões de pares em 2014 para 27 milhões em 2018. 

“Nós esperamos uma volta do retorno em 2019, apoiada pela implantação da nova estrutura de gestão com escritórios locais em cada região e maior foco em onde e como farão a revenda”, avaliam os analistas. A expectativa é de que o volume volte ao pico de 35 milhões em 2021 e aumente para 40 milhões em 2023 mas, com a empresa falando pouco sobre o assunto, não se justifica uma posição mais otimista com a empresa. 

Demais recomendações

Também em relatório sobre o varejo, o HSBC elevou a recomendação da Guararapes (GUAR3) de equivalente à venda para neutra, com a queda expressiva de 24% no acumulado do ano apresentando maior relação com o ROE ainda fraco apresentado pela varejista. 

Já entre as preferidas do banco, estão a Lojas Americanas (LAME4), com os analistas vendo o crescimento da varejista sendo subestimado, além do Pão de Açúcar (PCAR4).

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