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SÃO PAULO – O Ibovespa, que prometia registrar um dia de queda durante a manhã, ganhou força na tarde desta terça-feira (5), com investidores revivendo apostas pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff.
O noticiário político interno embaralha o jogo: enquanto licenciamento de Temer do PMDB é visto como reforço da estratégia de saída de Dilma, Marco Aurélio Mello, do STF, determina que Câmara dê seguimento a pedido de impeachment do próprio vice-presidente.
Na Bolsa, as ações da Petrobras, Vale e siderúrgicas subiram forte hoje, enquanto as ações do setor de papel e celulose afundaram em meio à queda do preço da celulose no mercado internacional. Fora do Ibovespa, destaque para os papéis da Log-In, que saltaram 10% após a companhia realizar acordo com Mercosul Line, do grupo Maersk, para operação compartilhada de longo prazo denominado Vessel Sharing Agreement (VSA), no Serviço Atlântico Sul (SAS).
Confira abaixo os principais destaques de ações da Bovespa nesta sessão:
Petrobras (PETR3, R$ 9,82, +2,29%; PETR4, R$ 7,83, +3,30%)
Notícias no front político contribuíram para alta da Petrobras, após ter despencado 9% ontem em meio à notícia de que a companhia poderia cortar os preços dos combustíveis. Os papéis seguiram também alta do preço do petróleo lá fora. O contrato Brent subi 0,66%, a US$ 37,94 o barril.
Ontem, a Petrobras informou em nota, que “não há previsão, neste momento, de reajuste nos preços de comercialização de gasolina e diesel”. A divulgação da nota ocorreu depois de notícias veiculadas no fim de semana sobre um possível anúncio da estatal de reduzir os preços da gasolina e do diesel. No texto, a estatal diz que “avalia permanentemente a competitividade de suas práticas e condições comerciais”.
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Hoje, a presidente Dilma Rousseff disse que cabe à Petrobras avaliar se é o caso de reduzir os preços dos combustíveis no país devido à discrepância entre os valores praticados no Brasil e no exterior atualmente, procurando minimizar o papel do governo na decisão. “Há desde o ano passado uma discrepância entre o preço praticado no Brasil e o preço praticado lá fora”, disse Dilma a jornalistas. “Se a Petrobras houver por bem fazê-lo, é o caso de fazer; se ela houver por bem não fazer, é o caso de não fazer. Agora, que existe a discrepância, existe.”
Destaque ainda para a notícia da produção total de petróleo e gás natural no Brasil no mês de fevereiro totalizou 2,950 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d), informou a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A produção total de petróleo em fevereiro foi de aproximadamente 2,335 milhões de barris por dia (bbl/d), queda de 0,8% em relação ao mês anterior. Na comparação com fevereiro de 2015, houve recuo de 4,0%. A Haitong comentou a produção em relatório, destacando que “começa a ficar preocupada sobre a produção futura”. O banco possui recomendação de venda para a Petrobras.
Vale (VALE3, R$ 15,29, +3,38%; VALE5, R$ 11,68, +3,27%)
As ações da Vale viraram para fortes ganhos, em meio à alta do contrato futuro de minério com vencimento em maio, que subia 4% depois de chegar a cair perto de 2% quando os investidores estavam acordando por aqui. O movimento da commodity, segundo Pablo Spyer, diretor da mesa de trade da Mirae Asset Wealth Management é o que explica o desempenho hoje de Vale e siderúrgicas. Acompanharam o movimento as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 6,24, +1,79%), holding que detém participação na Vale.
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Em destaque ainda, a mineradora informou a venda de sua participação total de 26,87% na CSA (Companhia Siderúrgica do Atlântico) para Thyssenkrupp como parte de sua iniciativa de simplificação de seu portfólio de ativos. “A participação da Vale está sendo vendida por um preço simbólico”, diz a nota divulgada pela mineradora.
Segundo o BTG Pactual, faz sentido para a Vale sair do aço, negócio que é pouco rentável e já vinha rodando com prejuízo (ou perto do “breakeven”) há anos. A única razão que fez a Vale investir neste projeto foi por conta do contrato de minério (todo fornecimento de CSA é da Vale), mas isso será até o fim do contrato em 2029. De acordo com analistas do banco, o impacto no valuation da mineradora é irrelevante, o que não ajuda no processo de desalavancagem da companhia.
Siderúrgicas
Os papéis da siderúrgica CSN (CSNA3, R$ 7,59, +8,58%) seguiram euforia do mercado, liderando os ganhos do Ibovespa nesta sessão. Enquanto isso, as ações da Gerdau (GGBR4, R$ 6,52, +1,09%) registraram ganho mais ameno e Usiminas (USIM5, R$ 1,60, -3,03%) encerrou em queda.
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No radar da Usiminas, a agência de classificação de risco Moody’s rebaixou os ratings corporativos da companhia de Caa1 para Ca em escala global e de Caa1.br para Ca.br em escala nacional. “O rebaixamento para Ca reflete principalmente o acordo que suspendeu os pagamentos de principal de dívida da Usiminas e medidas de covenants por 120 dias (a partir de 18 de março de 2016).“, afirmou a agência.
Bancos
Após subirem mais de 1% nesta sessão, as ações de bancos perderam força e fecharam entre leves perdas e ganhos, com Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 30,37, +0,20%), Banco do Brasil (BBAS3, R$ 18,35, -1,61%) e Bradesco (BBDC4, R$ 26,72, +0,56%).
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Papel e Celulose
As ações do setor de papel e celulose Fibria (FIBR3, R$ 36,06, -4,02%), Suzano (SUZB5, R$ 11,46, -6,07%) e Klabin (KLBN11, R$ 18,35, -2,65%) afundaram em sessão de alta do Ibovespa, apesar da alta do dólar frente ao real. Enquanto o dólar futuro subia 1,7%, esses papéis recuaram até 6% nesta sessão. A queda acompanhou os preços do papel e celulose, que seguem pressionados lá fora. Segundo dados da consultoria finlandesa Foex, os preços para fibra curta caíram tanto na Europa quanto na China, confirmando o que muitos agentes já esperavam, que há potencial de queda no curto prazo para os preços. Uma visão reforçada hoje pelos analistas do BTG Pactual.
Eletrobras (ELET3, R$ 6,60, 0,0%; ELET6, R$ 10,64, +1,43%)
Um ano após a Petrobras realizar perda contábil de US$ 2,1 bilhões devido ao escândalo da Lava Jato, outra empresa estatal está mais próxima de divulgar o prejuízo total causado pela corrupção. O time de advogados e especialistas contratado pela Eletrobras concluiu a maior parte de sua investigação para calcular o tamanho das perdas com possíveis atos de corrupção cometidos por algumas construtoras que a empresa contratou, segundo uma pessoa familiarizada com o assunto que pediu anonimato porque não está autorizada a falar publicamente. Antes de terminar o relatório a equipe ainda espera uma última peça no quebra-cabeça: a delação feita no mês passado dos executivos da Andrade Gutierrez, empreiteira responsável por projetos importantes, como a hidrelétrica de Belo Monte na Amazônia e a usina nuclear de Angra no Rio de Janeiro, disse a pessoa.
No mês passado, quase uma dezena de executivos da Andrade prestou depoimento durante cinco dias e pelo menos dois deles descreveram um esquema ilegal de subornos em projetos energéticos como Belo Monte, que é controlado por uma unidade da Eletrobras, disse uma das pessoas. Segundo o depoimento, as construtoras concordaram em pagar propinas equivalentes a 1 por cento do projeto de R$ 15 bilhões (US$ 4,2 bilhões), que depois teriam sido encaminhadas ao PT e ao PMDB na forma de doações oficiais, disseram as pessoas. O PT e o PMDB negaram diversas vezes qualquer acusação de irregularidade.
Log-In (LOGN3, R$ 1,02, +6,25%)
A Log-In sobe forte após a companhia realizar acordo com Mercosul Line, do grupo Maersk, para operação compartilhada de longo prazo denominado Vessel Sharing Agreement (VSA), no Serviço Atlântico Sul (SAS). De acordo com a companhia, o VSA contará com quatro navios em operação, sendo três da Log-In e um da Mercosul Line.
O SAS faz a ligação entre os portos do Mercosul e as regiões Sul, Sudeste e Nordeste do Brasil, com viagem completa de 28 dias e frequência semanal. O novo modelo permitirá à Log-In oferecer ao mercado maior flexibilidade operacional e otimização de custos no trade, acrescentou a empresa. O novo VSA atingirá a regularidade neste mês de abril.
CVC (CVCB3, R$ 17,30, +1,76%)
A CVC virou para alta, depois de chegar a cair 4% após a divulgação do resultado operacional referente ao primeiro trimestre. As reservas confirmadas somaram R$ 1,29 bilhão no primeiro trimestre de 2016, alta de 1,7% na comparação anual. Os números de reservas confirmadas excluem Rextur Advance e Subamrino Viagens, segundo comunicado.
A queda da confiança do consumidor, desvalorização do real e promoções de última hora “fizeram com que os consumidores continuassem adquirindo os seus pacotes mais próximos da data da viagem no primeiro trimestre, ainda que esse comportamento continua sendo menos pronunciado que o observado nos trimestres anteriores”.
Segundo o BTG Pactual, a prévia operacional da empresa não trouxe grandes surpresas, com vendas nas mesmas lojas retraindo 4,1% e bookings apresentando leve crescimento de 1,7%, para R$ 1,29 bilhão. O efeito câmbio em março impulsionou as vendas de pacotes internacionais, o que mostra que há demanda mesmo com cenário macroeconômico desafiador e que a CVC está ganhando participação no mercado entre os concorrentes, comentaram os analistas.
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