CSN sobe e CSN Mineração cai – mesmo que o 2T tenha indicado “o contrário”; entenda

2T26 reforçou a percepção de que a CMIN entregou o melhor resultado operacional, enquanto a CSN segue sendo uma história mais dependente da desalavancagem do que da evolução dos negócios, mas ações reagem de "formas contrárias"

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Os resultados do segundo trimestre de 2026 de CSN (CSNA3) e CSN Mineração (CMIN3) foram marcados por um contraste entre a melhora operacional e a persistente pressão sobre geração de caixa e balanço patrimonial. Enquanto as duas companhias apresentaram números operacionais melhores ou em linha com as expectativas, os analistas seguem preocupados com a alavancagem do grupo e com a dificuldade de conversão de resultado em fluxo de caixa livre.

Na visão do Goldman Sachs, o trimestre foi operacionalmente positivo, com desempenho mais forte da siderurgia e novo recorde de rentabilidade no cimento compensando a desaceleração da mineração.

Já para o JPMorgan, a CSN teve um resultado neutro, enquanto a CSN Mineração foi o principal destaque positivo da temporada.

A XP, por sua vez, destacou que a principal frustração continua sendo a ausência de desalavancagem efetiva na CSN, mesmo diante da melhora operacional observada em vários negócios do grupo.

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Contudo, as ações da CSN subiam nesta quinta-feira (13) pós-balanços, com alta de 2,55% (R$ 4,43), enquanto a CSN Mineração caíam 2,59% (R$ 5,64). Mas, vale ressaltar, CMIN3 avança cerca de 12% no acumulado do ano, enquanto CSNA3 desabam cerca de 49% no mesmo período, mostrando os investidores embolsando lucros em CMIN3 e vendo oportunidades em CSNA3 após a forte queda.

CSN: siderurgia e cimento ajudam, mas desalavancagem segue distante

O Ebitda ajustado da CSN somou aproximadamente R$ 2,6 bilhões a R$ 2,8 bilhões no trimestre, superando ou ficando ligeiramente acima das estimativas do mercado. O desempenho foi sustentado principalmente pela divisão de aço, que registrou recuperação relevante de volumes e margens, e pelo segmento de cimento, que entregou mais um trimestre de rentabilidade recorde.

Segundo Goldman Sachs, o Ebitda da operação de aço alcançou R$ 636 milhões, acima das projeções, beneficiado pela retomada dos volumes no mercado doméstico, aumento dos preços realizados e melhora dos custos unitários. O banco destacou que medidas antidumping contra importações ajudaram a criar um ambiente competitivo mais favorável no mercado brasileiro.

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O JPMorgan ressaltou que os embarques domésticos cresceram 37% na comparação anual e 9% frente ao trimestre anterior, enquanto o custo caixa por tonelada recuou 3% em relação ao mesmo período de 2025.

O segmento de cimento também voltou a chamar atenção. O Ebitda cresceu mais de 45% ano a ano, impulsionado por reajustes de preços, reforçando a visão de que o negócio continua sendo uma das principais fontes de geração de valor para o grupo.

Apesar da melhora operacional, o mercado continua olhando para a geração de caixa. A XP avaliou que a desalavancagem voltou a ficar para depois, já que a queima de caixa permaneceu elevada, pressionada por investimentos, despesas financeiras e amortizações de contratos de pré-pagamento de minério.

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O Goldman Sachs calcula que a companhia consumiu cerca de R$ 2 bilhões em caixa no trimestre. A liberação de capital de giro de aproximadamente R$ 900 milhões não foi suficiente para compensar investimentos de R$ 1,4 bilhão, despesas financeiras de R$ 1,5 bilhão e amortizações ligadas aos contratos de prepay de minério.

Como consequência, a dívida líquida da CSN avançou para cerca de R$ 40 bilhões e a alavancagem subiu para aproximadamente 3,4 vezes Ebitda, permanecendo como principal preocupação dos investidores.

CMIN surpreende em volumes e custos, mas caixa decepciona

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Na CSN Mineração, o mercado teve leitura um pouco melhor, com a leitura de embarques de minério de ferro de 11,8 milhões de toneladas, volume acima das projeções de Morgan Stanley, Goldman Sachs e JPMorgan. Os preços realizados também vieram ligeiramente acima das expectativas.

O Ebitda ajustado ficou próximo de R$ 1 bilhão, vindo abaixo de algumas estimativas de consenso, mas superando as projeções de casas como Goldman Sachs e Morgan Stanley.

Segundo Goldman Sachs, a principal surpresa positiva veio da redução dos chamados “outros custos”, que ajudaram a compensar a pressão nos custos operacionais diretos. O custo caixa por tonelada caiu para cerca de US$ 29 por tonelada, melhor do que o esperado pelos analistas.

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A XP destacou justamente essa dinâmica: volumes sólidos e custos menores do que o previsto ajudaram a sustentar uma rentabilidade operacional melhor que o esperado, mesmo em um ambiente de preços mais fracos para o minério.

Por outro lado, a geração de caixa voltou a decepcionar. O Morgan Stanley destacou que o fluxo de caixa operacional de apenas R$ 119 milhões ficou muito abaixo das expectativas do mercado e da própria instituição. O principal motivo foi o consumo de capital de giro, incluindo uma redução de mais de R$ 1 bilhão em adiantamentos de clientes.

O banco também chamou atenção para o aumento da dívida líquida para R$ 1,4 bilhão, ante cerca de R$ 700 milhões no trimestre anterior, movimento pior do que o esperado.

Venda de ativos continua sendo o principal gatilho

Apesar dos resultados operacionais razoáveis, a discussão central para investidores permanece sendo a estrutura de capital da CSN.

Goldman Sachs e XP destacam que o principal catalisador para os papéis continua sendo o programa de venda de ativos do grupo, estimado entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões. A concretização dessas operações é vista como fundamental para acelerar a redução da dívida e melhorar a percepção de risco da companhia.

O JPMorgan também ressaltou que, embora a CSN tenha conseguido alongar parte de suas dívidas recentemente, a geração de caixa segue insuficiente para produzir uma desalavancagem relevante no curto prazo.

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Lara Rizério
Mercados | Economia | Investimentos

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.