Energia

CSN (CSNA3): Mercado vê aquisição de ativos de energia como unidade de negócios

Compras de negócios de energia fazem sentido do ponto de vista estratégico, além de reduzir a volatilidade de custos da empresa

Por  Augusto Diniz

A CSN (CSNA3) vem dando novos passos na unidade de seus negócios – que passam pela siderurgia, mineração e cimento – agora com o ingresso no segmento de energia. Segundo analistas, a empresa foi muito assertiva na estratégia e passará a ser vendedora de energia, que é um insumo essencial para os seus negócios.

Conforme o Morgan Stanley, o grupo deve consumir cerca de 534 MW de energia a partir de 2023, e pela capacidade assegurada de geração atual sobra ainda para venda a terceiros de 203 MW – o Ebitda com essa operação a longo prazo poderia gerar R$ 300 milhões.

Os analistas do banco estrangeiro reforçaram também que a CSN já havia compartilhado ano passado que a meta da companhia era chegar a capacidade de geração de 840 MW em 2027, já quase antecipada com as aquisições recentes no segmento.

Para o Itaú BBA, a compra de negócios de energia pela CSN faz sentido do ponto de vista estratégico, além de reduzir a volatilidade de um importante componente de custo para a empresa, aumentando a contribuição para o Ebitda consolidado e diversificando o atual perfil de risco da companhia.

CSN vai às compras de energia

No final de junho, a CSN finalizou a aquisição das PCHs Sacre e Santa Ana. No início de julho, comprou outra PCH, a de Quebra Queixo. E, por fim, na sexta passada, arrematou em leilão 66,23% das ações detidas pelo governo do Rio Grande do Sul da Companhia Estadual de Geração de Energia Elétrica (CEEE-G), que tem só de ativos próprios 15 usinas de 910 MW de capacidade instalada. Nessa última operação a CSN irá desembolsar cerca de R$ 3 bilhões.

A analistas, Benjamin Steinbruch, presidente do Conselho da CSN reforçou, no entanto, que os negócios do grupo são mineração, siderurgia e cimento. “A gente tem infraestrutura logística e energia como serviços complementares. Nós vamos nos manter fieis à nossa origem”, ressaltou.

Steinbruch reforçou a analistas de mercado o perfil industrial do grupo, cujas ações visam favorecer a produção, e acrescentou que não tem interesse em qualquer tipo de concessão na área de energia.

Entretanto, a companhia disse não descartar um IPO de seu negócio de energia. Vale lembrar que o grupo fez no ano passado IPO da operação de mineração, cujas ações estão listadas sob o código (CMIN3), e vinha trabalhando para também realizar oferta pública de ações da unidade de cimento, adiada por conta do momento desfavorável.

Marcelo Ribeiro, CFO da CSN, a analistas, sobre os negócios de energia, comentou que a estratégia da companhia assenta em quatro pilares. São eles: retorno acima de 20%; ganho de competitividade industrial, redução de emissões e diversificação de negócios.

Alavancagem quase inalterada

Com a aquisição da CEEE-G, a relação dívida líquida/Ebitda da CSN no 1T22 aumentaria para 0,98x, ante 0,89x reportado no 1T22, avalia o mercado. “A ideia é que alavancagem fique abaixo de 1x”, afirmou Benjamin Steinbruch a analistas.

Ressalta-se ainda que a CSN tem projetos robustos de expansão sua unidade de mineração. Em maio último, a CSN Mineração foi autorizada a expandir a capacidade da planta de beneficiamento na mina Casa de Pedra, em Congonhas, passando a produzir de 10 a 15 milhões de toneladas por ano de minério de ferro.

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