Destaques de ações

CSN, BB, Bradesco, Petrobras e Itaú dispararam entre 11% e 19%; só 4 ações caíram

Confira os principais destaques de ações da Bovespa desta quarta-feira

SÃO PAULO – O Ibovespa disparou 6,60% nesta quinta-feira (17), ultrapassando os 51.000 pontos no intraday, mantendo movimento que começou após a Polícia Federal liberar ontem à noite gravação telefônica entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente Dilma e se estendeu com a suspensão da posse de Lula como ministro da Casa Civil.

Em meio à euforia, 14 das 61 ações do índice registraram alta superior a 9%, enquanto apenas 4 caíram. No campo negativo, figuraram apenas as exportadoras, em meio à forte queda do dólar hoje. Do lado positivo, a siderúrgica CSN apareceu como maior alta de 18,8%, seguida pelos bancos Banco do Brasil, Bradesco e Itaú Unibanco, com altas acima de 10%. 

Confira os principais destaques de ações da Bovespa desta sessão:

Petrobras (PETR3; R$ 10,44, +8,75%; PETR4, R$ 8,10, +12,03%)
Os papéis da Petrobras dispararam o noticiário político e alta das commodities no mercado internacional. Lá fora, o preço do petróleo Brent saltou de 2,68%, a US$ 41,41 o barril. 

Ainda no noticiário da petrolífera estatal, destaque para notícia do jornal O Estado de S. Paulo, que diz que a companhia planeja apresentar aos funcionários um novo Plano de Demissão Voluntária (PDV) para desligar até 12 mil trabalhadores, dentro do seu plano de reestruturação. Segundo fontes próximas às negociações, as condições do plano já foram definidas e devem ser apresentadas aos funcionários ainda neste semestre. A previsão é que o PDV seja incluído no Plano de Negócios para o período de 2016 e 2020, que deve ser apresentado no próximo mês. 

Segundo o analista da Haitong Sérgio Tamashiro, ainda que não confirmada, a notícia é positiva, mas não muda o valuation significativamente.

Banco do Brasil (BBAS3, R$ 20,69, +14,37%)
Outra estatal a refletir com força o cenário político é o Banco do Brasil, cujos papéis sobem mais de 10% nesta sessão. Os bancos privados Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 33,10, +10,92%) e Bradesco (BBDC4, R$ 27,71, +12,87%), penalizados no pregão da véspera, também disparavam nesta sessão. 

Exportadoras
A desvalorização do dólar impactou negativamente sobre as ações das empresas exportadoras da Bolsa. A dupla do setor de papel e celulose Fibria (FIBR3, R$ 33,90, +3,94%) e Suzano (SUZB5, R$ 13,31, +6,60%) figurou como a maior do Ibovespa, seguida pela fabricante de aeronaves Embraer (EMBR3, R$ 22,69, -3,12%). 


Segundo o Wall Street Journal, um consultor de vendas que diz ter pago propina em nome da Embraer disse a promotores brasileiros acreditar que gestores da empresa, incluindo seu presidente Frederico Curado, sabiam dos pagamentos ilícitos ligados à venda de aviões para a República Dominicana, diz WSJ, citando resumos oficiais de declarações do consultor Elio Moti Sonnenfeld.

Curado não foi indicado ou acusado de qualquer irregularidade na denúncia criminal apresentada em 2014, informou o jornal.

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A Embraer disse à Bloomberg em comunicado por e-mail que está impossibilitada de comentar as alegações citadas pelo WSJ porque a reportagem “é baseada em alegações que foram aparentemente vazadas de uma declaração confidencial de um réu em um processo que tramita em segredo de Justiça no Brasil, não estando, assim, disponível para a empresa”. A empresa disse que “mantém um processo permanente de avaliação de denúncias e continuará a tomar as ações apropriadas, conforme as circunstâncias exijam”, segundo o comunicado.

“A empresa imediatamente contratou advogados externos para conduzir uma ampla investigação interna, de forma independente”. “Os resultados da investigação são confidenciais e têm sido reportados às autoridades competentes”, informou a empresa.

Vale (VALE3, R$ 15,50, +4,59%; VALE5, R$ 10,94, +3,70%)
As ações da Vale seguiram o otimismo do mercado e disparam nesta sessão, acompanhando também a alta do minério de ferro lá fora. A commodity para entrega imediata no porto chinês de Tianjin subiu 5,5% para US$ 55,40, após ter subido 1,6% na véspera. 

A disparada do minério veio acompanhando da alta nos mercados de ações e outras commodities, após Fed ter sinalizado menores elevações da taxa de juros neste ano em meio às incertezas globais, o que eleva o apetite dos investidores por risco. Os ganhos, também vistos nos mercados futuros em Cingapura, no entanto, podem ser de difícil sustentação, dado que a demanda sazonal por aço na China permanece lenta. A demanda chinesa por aço pode ganhar ritmo ao final de março ou no início de abril, com aumento das atividades de construção conforme o tempo fica mais quente, disse o analista da consultoria CRU em Pequim, Richard Lu.

Além disso, segundo o Estadão, a Vale ameaça cortar 50% da produção em Minas, caso não consiga aprovar licenciamento ambiental de 88 projetos em análise. Cabe lembrar que ontem a Samarco foi rebaixada de Caa1 para Caa2 pela Moody’s; a perspectiva negativa.

JBS (JBSS3, R$ 11,98, +5,74%)
A companhia de alimentos JBS teve prejuízo líquido de R$ 275,1 milhões, ante lucro líquido de R$ 618,8 milhões um ano antes, em meio a um forte aumento das despesas financeiras, de acordo com dados divulgados nesta quarta-feira. No ano, a companhia teve lucro líquido de R$ 4,6 bilhões, alta de 127,9% sobre o resultado em 2014, quando foi R$ 2,036 bilhões.

As despesas financeiras líquidas totalizaram 1,737 bilhão de reais, incluindo despesas relacionas a proteção de variação de moedas, no total de 1,336 bilhão reais no trimestre. A receita líquida no trimestre cresceu 37,5 por cento na comparação com 2014 e encerrou dezembro em 47,161 bilhões de reais. Na comparação com o terceiro trimestre, a receita cresceu 9,6 por cento.

O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização na sigla em inglês) ajustado entre outubro e dezembro foi de 3,131 bilhões de reais, queda anual de 4,8 por cento. A média de estimativas de analistas obtidas pela Reuters apontava receita de 47,593 bilhões de reais e Ebitda de 3,349 bilhões. Entre as prioridades da JBS em 2016 estão o crescimento orgânico e a “excelência operacional”, que também citou a geração de caixa livre e redução da alavancagem. Segundo o Bradesco BBI, os resultados foram em linha com o esperado.

Ainda sobre a companhia, segundo quebra de sigilo feita pela Receita Federal, a J&F Investimentos, que controla a JBS e as marcas Friboi e Swift, aparece como a maior doadora do Instituto Lula entre 2011 e 2014, com R$ 2 milhões, entre as não empreiteirasOs dados da Receita Federal estão em documentos anexados à investigação da Operação Lava Jato, que teve sigilo levantado pela Justiça Federal na quarta-feira. 

CPFL Renováveis (CPFE3, 19,30, +6,22%)
A CPFL Renováveis quer investir R$ 2,1 bilhões e analisa aquisições, segundo o presidente André Dorf falou à Bloomberg em entrevista por telefone. As usinas eólicas são as mais competitivas entres as renováveis, afirmou o CEO. 

Oi (OIBR4, R$ 1,25, +2,46%)
Os d
etentores de títulos da Oi mantêm negociações com assessores financeiros para auxiliar em uma potencial reestruturação de dívida da operadora, segundo três pessoas com conhecimento do assunto disseram à Bloomberg. Segundo fontes, grandes investidores têm mantido conversas com representantes da FTI Consulting, Moelis & Co e Houlihan Lokey. 

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A Oi avalia converter títulos em ações na tentativa de reestruturar a maior dívida do setor de telecomunicações brasileiro, disse uma das pessoas. A operadora contratou a PJT Partners para assessorar na gestão de seus R$ 60 bilhões em obrigações. A Oi também contratou escritórios de advocacia White & Case LLP e Barbosa, Mussnich & Aragão para auxiliar no processo, disseram duas pessoas familiarizadas com o assunto 

A assessoria de imprensa da Oi disse que a empresa não iria comentar sobre a reestruturação da dívida. A Barbosa, Mussnich & Aragão se recusou a comentar, enquanto a White & Case não retornou telefonemas e e-mails com pedido de comentário. A Moelis & Co. e Houlihan Lokey se recusaram a comentar e a FTI Consulting não retornou telefonema e e-mail com pedido de comentário, disse a Bloomberg.  

Totvs (TOTS3, R$ 31,00, -4,02%)
Os papéis da Totvs afundaram hoje após divulgação de resultado do quarto trimestre. Na mínima do dia, as ações desabaram 11,80%, a R$ 28,49. A companhia registrou lucro líquido ajustado pró-forma de R$ 49,5 milhões, queda de 39% na comparação anual. 

O Itaú BBA espera reação negativa a “resultados desapontadores com compressão adicional de margem”, enquanto o Santander destaca que “o resultado de Ebitda, receita e lucro líquido provavelmente desapontarão o mercado e levarão a uma reação negativa, especialmente depois do forte”.