Destaques da Bolsa

CSN afunda 4% após balanço fraco; Itaú cai com corte de recomendação do Goldman

Confira os principais destaques de ações da Bolsa nesta terça-feira (29)

(Divulgação/Braskem)

SÃO PAULO – O Ibovespa opera em queda nesta terça-feira (29) antes da reunião do PMDB, que deve oficializar a saída do partido da base do governo, e fala da presidente do Federal Reserve, Janet Yellen. 

Nas maiores quedas do índice, figuram as ações do setor de papel e celulose e Vale, ambas pressionadas pela queda dos preços das commodities. A CSN também aparece na ponta negativa, mas puxada pelo fraco balanço do 4° trimestre. Nesta sessão, o Bank of America reiterou recomendação neutra para a ação. 

Os papéis dos bancos, por sua vez, que caíam forte mais cedo, viram para alta. Além da manhã de cautela no mercado, o Itaú caía após corte de recomendação pelo Goldman Sachs. 

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Confira abaixo os principais destaques de ações da Bovespa:

Educacionais
Depois da derrocada da véspera, os papéis do setor de educação têm dia misto hoje. Kroton (KROT3, R$ 11,21, +0,18%) e Estácio (ESTC3, R$ 11,39, +1,33%) operam em leves ganhos, enquanto Ser Educacional (SEER3, R$ 10,25, -4,21%) e Anima (ANIM3, R$ 10,15, -2,87%) seguem movimento negativo. 

A queda da véspera deve-se à expectativa de transição política de um governo Dilma Rousseff para Michel Temer. Isso porque, em reportagem ontem de O Estado de S. Paulo, falava-se em ampliação do programa do PMDB “Uma ponte para o Futuro”, que incluiria cortes em gastos públicos com programas sociais. Entre os ajustes, estariam restrições ao Fies (Fundo de Financiamento Estudantil). 

Veja mais: Novo plano econômico do PMDB pode desagradar 6 ações na Bolsa

Em relatório desta terça-feira, analistas do BTG Pactual comentaram que os efeitos devem ser limitados, dado que, com o forte corte (cerca de 60%) realizado em 2015 para o número de vagas disponíveis no Fies e com a revisão completa das condições oferecidas a partir do 2° semestre, o programa já se tornou muito mais sustentável. Para eles, o que poderia mudar no curto prazo seria a taxa de contribuição do FGEDUC para cobrir eventual aumento de inadimplência do programa. Os analistas reiteraram visão positiva para Kroton, por conta da boa exposição ao segmento de ensino à distância a mercados competitivos, melhor eficiência no “ensalamento” e potenciais sinergias com a Anhanguera.  

Brasil Insurance (BRIN3, R$ 23,00, -2,54%) 
A Brasil Insurance registrou prejuízo líquido atribuível aos sócios da empresa controladora de R$ 73,3 milhões no quarto trimestre de 2015, alta de 171% sobre o prejuízo líquido de R$ 27 milhões de igual período de 2014. Já a receita líquida atingiu R$ 42,1 milhões no período, queda de 23,5% quando comparada ao mesmo período do ano anterior. 

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Light (LIGT3, R$ 9,98, -2,25%) 
A Light reverteu o lucro de R$ 520 milhões registrado no quarto trimestre de 2014 para um prejuízo de R$ 66 milhões no mesmo intervalo de 2015. No acumulado do ano, no entanto, o resultado ficou positivo em R$ 42 milhões, mas representou uma queda de 93,6% ante 2014.

O Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado recuou 72,8% de outubro a dezembro de 2015 ante o ano anterior, para R$ 224 milhões, com margem Ebitda passando de 25% para 8,7%. No total de janeiro a dezembro do ano passado, o Ebitda caiu 25,2% contra 2014, para R$ 1,272 bilhão, com margem Ebitda de 18,5% para 11,9%. A receita líquida no quarto trimestre de 2015 recuou 21,1% contra o mesmo período de 2014, para R$ 2,353 bilhões. No total do ano, a receita subiu 17,6% na comparação com 2014, para R$ 9,710 bilhões.

Aliansce (ALSC3, R$ 12,51, +1,38%)  
A Aliansce teve lucro líquido atribuível aos sócios controladores de R$ 17 milhões no quarto trimestre de 2015, 63,3% abaixo dos R$ 46,4 milhões de igual período de 2014. No ano de 2015, o lucro líquido somou R$ 145,4 milhões, 16,5% abaixo que os R$ 174 milhões de 2014. O Ebitda foi de R$ 114,4 milhões nos últimos três meses de 2015, 6,3% acima dos R$ 107,6 milhões em igual período de 2014. Já a receita líquida foi de R$ 153,6 milhões no período, 7% superior ao mesmo período do ano anterior. 

CSN (CSNA3, R$ 7,44, -4,49%)
As ações da CSN afundam após balanço fraco no 4° trimestre. A companhia encerrou o período com lucro líquido de R$ 2,37 bilhões, devido a ganhos registrados pela combinação de negócios de mineração, ante resultado líquido de R$ 66,99 milhões um ano antes. Depois dos números, o Bank of America Merrill Lynch reiterou recomendação neutra para a ação.  

A empresa teve geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado de R$ 686 milhões nos três meses encerrados em dezembro, queda de 20% sobre o terceiro trimestre. 

Segundo o BTG Pactual, o resultado foi fraco como esperado, com os destaques negativos ficando para a queda dos volumes de aço. A alavancagem seguiu subindo, de 6,6 vezes para 8,2 vezes. “Continuamos esperando que demanda caia 10% na comparação anual esse ano e trabalhamos com correção de preços de minério dos atuais US$ 55 a tonelada. Vemos 15-20% de risco de downside para números de consenso, e vemos papel caro negociando a 10 vezes o Ebitda”, destacam os analistas do banco.

Braskem (BRKM5, R$ 22,94, -1,84%)
A Braskem registra perdas em meio à informação de que o DoJ (Departamento de Justiça) americano, órgão dos EUA, está investigando a Odebrecht e a Braskem por suspeita de corrupção envolvendo contratos com a Petrobras, informa o jornal Valor Econômico. No caso da Braskem, braço petroquímico da Odebrecht, a investigação mira contratos de nafta firmados com a estatal brasileira a partir de 2009.

As informações sobre as investigações constam, segundo o jornal, no despacho do juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato.  A Odebrecht informou ao Valorque não tem conhecimento sobre o caso, além da apuração em curso do Doj sobre os contratos da Braskem.

Bancos
Os bancos continuam as altas da véspera, mas com menor intensidade, de olho na reunião do PMDB que definirá o desembarque do partido do governo Dilma Rousseff. Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 31,86, +0,31%), Bradesco (BBDC4, R$ 27,60, +0,22%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 20,23, +0,65%) registram leves ganhos, após chegarem a subir cerca de 1% mais cedo. Sobre o Itaú, vale destacar que ele foi rebaixado de neutro para venda pelo Goldman Sachs. 

O banco também elevou a recomendação para as ações da Cielo (CIEL3, R$ 39,42, +0%) de venda para neutra, enquanto a Porto Seguro (PSSA3, R$ 27,77, +2,32%) foi elevada de neutra para compra. 

Petrobras (PETR3, R$ 10,46, -1,60%, PETR4, R$ 8,34, -1,18%)
As ações da Petrobras têm queda em um movimento de correção disparada de mais de 8% ontem, refletindo o desembarque iminente do PMDB do governo (o que aumenta as chances de impeachment), além de refletir a queda do preço do petróleo. O brent é negociado a US$ 39,25 o barril, queda de 2,53%. 

No noticiário da empresa, segundo a Folha de S. Paulo, desde o início da Operação Lava Jato, a companhia e suas subsidiárias já demitiram 169,7 mil pessoas. O corte já representa o equivalente a 61% da equipe atual, que estava em 276,6 mil em fevereiro de 2016. Os cortes começaram ainda em 2014, na gestão Graça Foster, quando 74,3 mil perderam o emprego, e se intensificaram sob comando de Aldemir Bendine, que cortou 95,4 mil até fevereiro deste ano, destaca a publicação.  Ainda o noticiário da estatal, a Petrobras informou que o governo federal, seu acionista controlador, indicou para presidente do Conselho de Administração o economista Luiz Nelson Guedes de Carvalho.

Vale (VALE3, R$ 14,96, -1,38%;VALE5, R$ 11,20, -1,67%)
As ações da Vale  registram queda seguindo a baixa do minério de ferro spot (à vista). A commodity negociada no porto de Qingdao com 62% de pureza, fechou em queda de 1,17%, a US$ 55,11.  

Papel e celulose
As ações do setor de papel e celulose registram queda, com destaque para a Suzano (SUZB5, R$ 13,43, -2,11%), enquanto a Fibria (FIBR3, R$ 32,16, -0,43%) tem queda menos expressiva. Os preços indicaram queda de 2% do preço da celulose na China na comparação semanal, a US$ 517,03 a tonelada, mas com estabilidade na Europa em US$ 736,79 a tonelada. “A
creditamos que essa queda nos preços deve continuar nas próximas semanas, podendo pressionar os papéis”, destaca o Credit Suisse em relatório. 


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