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O Morgan Stanley, em relatório assinado pelos analistas Mauricio Cepeda, Lucas Nagano e Artur Alves, apresentou visões distintas sobre o setor de educação, promovendo um duplo rebaixamento das ações da Cruzeiro do Sul (CSED3) e uma elevação da recomendação para Cogna (COGN3). Por volta das 11h (horário de Brasília) desta sexta-feira (7), os papéis da Cruzeiro do Sul caíam 3,96%, cotados a R$ 4,37, enquanto da Cogna subiam 1,80%, a R$ 2,24.
No caso de Cogna, apesar da pressão de margens no curto prazo e dos ventos contrários regulatórios a partir do segundo semestre de 2027, o trio está mais otimista com a perspectiva de crescimento da Kroton. Eles estimam crescimento de 10% na receita em 2026, especialmente com o lançamento de cursos de enfermagem no modelo presencial com apoio de polos de ensino a distância (EAD), cuja entrada de alunos deve crescer 40% na comparação anual no 3T26.
O prêmio da ação em relação aos pares diminuiu, criando uma oportunidade atrativa de entrada para uma companhia que está crescendo acima dos concorrentes. Na visão do banco, as ações foram mais penalizadas pelo fluxo vendedor de ações, levando a uma maior compressão de múltiplos e reduzindo a diferença em relação aos pares menos líquidos. Com isso, o banco elevou a recomendação para compra e o preço-alvo de R$ 3,50 para R$ 3,60.
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Cruzeiro do Sul (CSED3)
O Morgan Stanley rebaixou a recomendação para Cruzeiro do Sul de compra para venda, com preço-alvo caindo de R$ 7 para R$ 5, citando questões de valuation e a frustração com as novas matrículas.
O Morgan Stanley cortou significativamente suas estimativas devido ao aumento dos gastos com tecnologia, provisões para devedores duvidosos (PDA) e maior prazo de recebimento de clientes.
“Em termos de valuation, a CSED3 deixou de negociar com o desconto que justificava a recomendação anterior”, comenta o banco.
Ser (SEER3)
Manter SEER em OW. Apesar de uma aceleração mais lenta que o esperado nos cursos de medicina, analistas continuam construtivos com o crescimento de vagas médicas e das matrículas em geral. Após a forte desalavancagem, eles esperam uma expansão relevante dos resultados, com crescimento de 38% no lucro em 2026, 17% acima do consenso de mercado.
Nesse contexto, o Morgan Stanley manteve recomendação de compra para Ser e elevou o preço-alvo de R$ 18,50 para R$ 19.
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Vitru (VTRU3)
O Morgan Stanley manteve recomendação neutra para ações da Vitru e elevou o preço-alvo para R$ 17,50, diante de uma assimetria negativa de risco pela exposição elevada a programas afetados pelas mudanças regulatórias, especialmente EAD e cursos híbridos, que representam cerca de 75% da receita, apesar da melhora na geração de caixa esperada em 2026.
Ânima (ANIM3)
Para Ânima, o banco também reiterou recomendação neutra, mas reduziu o preço-alvo de R$ 3,90 para R$ 3,00, após reduzir as estimativas diante do crescimento mais fraco das matrículas, dos juros elevados por mais tempo e das complexidades adicionais trazidas pela aquisição da FMU. Além do preço da aquisição e dos desafios de integração, a operação levanta preocupações de governança, o que pode elevar o nível de exigência de investidores.
A avaliação descontada e a pressão compradora dos controladores criam um piso para a ação. Ainda assim, a companhia pode continuar sendo utilizada como fonte de recursos em operações relativas, devido à ausência de catalisadores de curto prazo, mesmo com a posição vendida atingindo cerca de 20% do free float.
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Yduqs (YDUQ3)
Com crescimento modesto do Ebitda, a melhora da geração de caixa se torna mais desafiadora. O cumprimento do guidance de fluxo de caixa livre de R$ 520 milhões a R$ 620 milhões em 2026 pode depender de postergações não recorrentes de capital de giro e investimentos (CAPEX).
Apesar de o guidance indicar um retorno de fluxo de caixa superior a 20%, a YDUQS não se torna mais atrativa em relação aos pares, já que todas as companhias do setor negociam com desconto semelhante. Os desembolsos relacionados a contingências trabalhistas devem continuar elevados, e não descartamos uma nova rodada de demissões no quarto trimestre de 2026 antes dos impactos regulatórios.
Essas despesas também podem reduzir artificialmente o múltiplo P/L ajustado, já que são classificadas como não recorrentes. Por isso, damos maior peso ao P/L não ajustado, no qual a YDUQS negocia a 5,5 vezes o lucro estimado para 2027, acima dos pares. Com isso, o banco manteve recomendação de venda e o preço-alvo passou de R$ 11 para R$ 10.
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O que esperar no 2º trimestre?
De forma geral, o Morgan Stanley prevê queda nas matrículas, crescimento moderado da receita e pouca oportunidade de expansão de margens no segundo trimestre de 2026. Além disso, a manutenção dos juros elevados por mais tempo reduz o principal potencial de crescimento dos lucros esperado no início do ano.
Após os efeitos regulatórios comerciais no primeiro semestre de 2026 — especialmente as restrições a determinados cursos, como modalidades de ensino a distância (EAD) e enfermagem híbrida — o banco mantém uma visão cautelosa sobre os impactos regulatórios acadêmicos a partir do segundo semestre de 2027.
Essas mudanças devem elevar custos e pressionar a rentabilidade do setor. Acreditamos que repassar esses custos por meio de aumento de preços será difícil diante da elevada competição. Além disso, mesmo que haja reajustes, eles podem ser compensados por uma queda no volume de alunos, devido à alta elasticidade da demanda.
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Como a implementação dessas regras ainda tem horizonte mais longo e detalhes pouco claros, tanto o mercado quanto as próprias empresas podem subestimar o tamanho do impacto.