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SÃO PAULO – O mercado recebeu bem as recentes notícias acerca da Eletrobrás (ELET6) – em especial, o pagamento de dividendos da empresa, retidos há mais de 30 anos. O otimismo, contudo, pode ser excessivo na opinião do Morgan Stanley – que reduziu a recomendação para os papéis da empresa de “equal weight” (em linha com o mercado) para “underweight” (abaixo da média do mercado).
De acordo com os analistas, com o recente rali as ações da empresa estão com valuation esticado. Além disso, a equipe afirma que as projeções para a empresa no longo prazo não merecem tanto otimismo.
As recentes melhoras na performance da empresa, de acordo com os analistas, não estão relacionadas à melhora de eficiência das operações, que ainda têm uma alta base de custos. “A Eletrobrás tem as piores métricas operacionais do seu setor, e não vemos nenhuma iniciativa para melhorar esses padrões”, aponta o banco, que também critica o baixo retorno sobre o patrimônio (ROE) da companhia, em torno de 9%.
O Morgan Stanley também destaca que a Eletrobrás continua investindo em projetos de baixo retorno – um exemplo é o recente anúncio da empresa de que está avaliando a aquisição da Celg. “Não vemos como isso poderia criar valor”, afirmam os analistas, que ressaltam ainda que a divisão Eletrosul da empresa teve o pior retorno no leilão de energia eólica promovido pelo governo brasileiro.
Além disso, o banco afirma que as recentes capitalizações de subsidiárias, que totalizaram R$ 11,77 bilhões, apesar de promoverem ganhos fiscais, mostram que a companhia segue injetando capital em negócios não lucrativos.
Perspectivas
Segundo o banco, apesar de estar entre as mais baratas de seu setor em uma avaliação por múltiplos, a empresa deve apresentar lucros baixos e não tem boas opções de crescimento. O Morgan Stanley elevou o preço-alvo dos papéis para R$ 29, baseado em um menor custo das ações.
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A renovação de concessões também deve impactar os resultados da Eletrobrás, já que os contratos referentes a 30% de sua capacidade expiram em 2015. “Acreditamos que os contratos sejam renovados, mas com o custo de restringir a capacidade da empresa ao mercado cativo, a preços mais baixos do que o mercado livre”, afirmam os analistas. De acordo com o banco, a Eletrobrás deve vender a sua capacidade não contratada a preços abaixo do mercado.
Os analistas esperam que a empresa amplie seu papel como consolidadora do setor no País – o que não é um fator positivo. “A prioridade não é a taxa de retorno, e um crescimento abaixo do custo de capital destrói o valor para os acionistas; além disso, o player mais eficiente do segmento deveria liderar a consolidação – e a Eletrobrás não é esse player”.
Riscos
Entretanto, o Morgan Stanley destaca que uma melhora no sistema de governanca da empresa teria efeitos positivos no mercado, sendo um dos principais riscos à recomendação “underweight”. Questões políticas, preços de geração, capitalização do governo e mudança de preço nos contratos de concessão também são apontados como riscos à avaliação do banco.