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SÃO PAULO – O governo norte-americano prepara um plano para prevenir o aumento das execuções de hipotecas no país, disse nesta quinta-feira (23) a presidente da FDIC (Federal Deposit Insurance Corporation), Sheila Bair. A agência, que garante os depósitos das instituições financeiras, tem trabalhado em conjunto com o Tesouro e o Federal Reserve na elaboração do plano anti-crise.
Diante do comitê Bancário, Imobiliário e Assuntos Urbanos do Senado, Sheila Bair afirmou que, apesar dos problemas com a crise, os bancos continuam bem capitalizados e que o problema é a liquidez. “Isto é em grande parte causado pela incerteza em relação ao valor dos ativos hipotecários, fato que está fazendo com que os bancos relutem em emprestar dinheiro entre si, aos consumidores e empresas”.
Segundo ela, garantias de empréstimos podem ser usadas como incentivos para a modificação dos contratos. “Especificamente, o governo poderia estabelecer padrões para as modificações nos empréstimos e poderia convertê-los em sustentáveis no longo prazo. A FDIC está trabalhando de uma maneira criativa e próxima do Tesouro para atingir todo o benefício potencial desta autoridade”.
Alteração das condições
Desde que a agência passou a comandar a financiadora de hipotecas IndyMac em julho, Bair instituiu um processo de modificação de empréstimos que estejam em atraso há mais de 60 dias. Cerca de dois terços dos 60 mil empréstimos da IndyMac estão elegíveis ao programa. “Durante a semana, a IndyMac enviou mais de 15 mil propostas de alteração aos endividados e convocou milhares para continuar os esforços para prevenir desnecessárias execuções de hipotecas”. Na média, segundo Bair, as parcelas foram reduzidas em US$ 380.
Ela espera que os processos da IndyMac sejam replicados em escala nacional, funcionando como um catalisador. “Estou satisfeita em informar que estes esforços preveniram muitas execuções de hipotecas que teriam sido custosas para a FDIC e aos investidores. Isto tem sido feito com a disponibilização de hipotecas de longo prazo para devedores que estavam seriamente inadimplentes”. A idéia atende uma parte crescente de economistas e também políticos que alegam ser a prevenção de novas execuções de hipotecas a maneira mais eficiente para evitar um aprofundamento ainda maior da crise.
De acordo com dados da RealtyTrac, o número de execuções hipotecárias nos EUA subiu 71% no terceiro trimestre na base de comparação anual, atingindo o patamar recorde de 765.558 propriedades que receberam avisos de inadimplência, de leilão ou que foram executadas. O número superou em 3% o contabilizado no segundo trimestre, mostrando maior deterioração do mercado imobiliário, enquanto os preços dos imóveis continuam caindo.