Crise pode transformar em fiasco o melhor dia para o varejo dos EUA no ano

Sexta-feira pós-feriado de Ação de Graças - ou "Black Friday" - é conhecida por tirar varejistas do prejuízo e inicia vendas de Natal

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SÃO PAULO – O dia seguinte ao feriado de ação de graças marca, tradicionalmente, a chegada do período mais favorável ao varejo dos EUA no ano. No entanto, a grave crise por que passa o país pode tornar a Black Friday de 2008 um grande desastre corporativo.

Embora o nome da data possa transmitir impressão negativa (Sexta-feira Negra), a idéia é oposta. Além de ser costumeiramente o dia com as maiores vendas no ano, a última sexta-feira do mês de novembro marca o início das vendas natalinas – um dos fatores sazonais mais importantes para o comércio em diversos países de tradição cristã.

Mesmo que a origem da expressão Black Friday seja controversa, tornou-se comum associá-la a práticas contábeis – o momento em que as empresas deixam de operar com prejuízos (anotados com tinta vermelha) e passam a registrar lucros (anotados com tinta preta).

Fiasco

Mas toda a expectativa depositada pelo setor varejista poderá ser solapada pelo delicado momento por que passa a economia do país, especialmente em função da queda no consumo dos norte-americanos, como revelado pelo indicador Personal Spending, que em outubro recuou 1%.

O dia é marcado pela promoção de diversos descontos e ofertas especiais, visando atrair os consumidores e garantir um bom fluxo de vendas no final de ano. Neste ano, a situação crítica do setor transformou a Black Friday de simples pontapé inicial em um momento crítico para o varejo nos EUA. Muitas lojas decidiram antecipar-se e abriram suas portas em pleno feriado desta quinta-feira.

Nem mesmo grandes cadeias escapam dos problemas, como evidenciou a concordata da rede de produtos eletrônicos Circuit City. Até empresas que tradicionalmente não embarcam no frenesi dos descontos, como a Apple, decidiram disputar os clientes e oferecer promoções por conta da data especial. No fim de tudo, outro risco: tamanha disposição em atrair consumidores poderá ter efeitos colaterais sérios sobre as margens.

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Expectativas desfavoráveis

Conhecido por suas opiniões pouco otimistas, o economista Nouriel Roubini fez um trocadilho com a expressão “Black Friday”, dando a entender o quão violentados pela crise têm sido os consumidores dos EUA. Para ele, a data deste ano poderia receber o apelido de “Consumer Black Eye Friday” – ou a sexta-feira dos consumidores com o olho roxo, na tradução livre.

Grande parte dos analistas prevê queda entre 3% e 6% das vendas no feriado prolongado deste fim de semana, mas alguns chegam a estimar redução de 8%, criando expectativas muito ruins para os resultados do setor nos últimos dois meses de 2008 – período que pode representar até 50% das receitas no ano para algumas empresas.