Crise nuclear no Japão volta a minar sentimento e bolsas dos EUA seguem em baixa

O tom de alarme foi elevado após chefe de Energia da UE ter afirmado que a situação está "efetivamente fora de controle"

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SÃO PAULO – Os principais índices acionários dos EUA seguem em baixa nesta quarta-feira (16), ainda dominados pela aversão ao risco gerada pela crise nuclear no Japão, que recrudesceu após comentários de um dos membros do Comissariado para Energia da UE alertar para a possibilidade de “eventos catastróficos”.  A agenda econômica pouco animadora nos Estados Unidos também contribui para as quedas observadas. 

O índice Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas, opera em desvalorização de 1,65% e atinge 11.660 pontos. O S&P 500, que engloba as 500 principais empresas dos EUA, negocia em baixa de 1,61% a 1.261 pontos, enquanto o Nasdaq Composite, que concentra as ações de tecnologia, cai 1,54%, chegando a 2.626 pontos.

% Var Dia Pontos %Var 30D %Var Ano
 Nasdaq -1,54 2.626 -6,78 -1,01 
 S&P 500 -1,61 1.261 -5,34 +0,28 
 Dow Jones -1,65 11.660 -4,95 +0,72 

A crise nuclear no Japão agravou-se após o depósito de combustível atômico de um reator do complexo de Fukushima apresentar rachaduras, causando um incêndio. Além disso, trabalhadores tiveram que ser retirados momentaneamente do local por causa dos riscos de vazamento de radioatividade. Os esforços para conter as chamas foram frustrados até agora. 

O tom de alarme foi elevado ainda mais após o chefe de Energia da União Europeia ter afirmado que a situação está “efetivamente fora de controle”. Um porta-voz, no entanto, disse que o Comissariado não tem informações adicionais sobre as condições em Fukushima.

Bahrein pressiona petróleo
Os grandes produtores de petróleo também voltam a causar ansiedade no mercado após o Bahrein ter declarado estado de emergência frente a violentos protestos em Manama, capital do país, o que provocou também o fechamento da bolsa local.

Agências internacionais dão conta de que ao menos quatro pessoas foram mortas durante os protestos desta quarta. A polícia atacou os manifestantes que pediam por reformas políticas, principalmente na Praça Pérola, centro financeiro do país. Além disso, o governo impôs um toque de recolher de 12 horas de duração, que passa a valer a partir das 16 horas até as 4 horas, segundo informou um porta-voz do Exército na televisão estatal.

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A cotação do barril do petróleo Brent, negociado no mercado de Londres, opera a US$ 110,90 no pregão desta quarta-feira, alta de 2,19% em relação ao último fechamento, enquanto em Nova York o contrato futuro de barril de petróleo com vencimento em abril é negociado a US$ 97,90 por barril, configurando uma alta de 0,74% frente ao fechamento anterior.

Portugal faz emissão
Além disso, a agência de risco Moody’s cortou o rating de Portugal na véspera. A nota passou de A1 para A3 e a perspectiva negativa foi mantida, em razão dos riscos para implantação do ajuste fiscal. Ainda na pauta, o país obteve nesta manhã juro de 4,331% ao ano na emissão de € 1 bilhão em títulos do tesouro com vencimento de um ano, superando a taxa obtida na última operação, demonstrando que o mercado cada vez mais eleva o prêmio de risco cobrado nestas emissões.

Indicadores
No setor imobiliário, o Housing Starts, que mede o número de casas em início de construção nos EUA, registrou 479 mil casas no resultado anualizado de fevereiro, não superando os 575 mil imóveis esperados, na maior queda mensal em 27 anos. Em janeiro, o indicador anualizado foi de 618 mil casas, conforme os dados revisados.

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Por sua vez, as novas permissões para construção de residências também apresentaram um recuo recorde em fevereiro, marcando um total de 517 mil, o maior patamar em mais de 40 anos.

O déficit em conta corrente no país atingiu US$ 113,3 bilhões no quarto trimestre de 2010, ficando pior do que as expectativas de mercado, que giravam em torno de US$ 110,0 bilhões. Entretanto, o saldo negativo foi menor do que os US$ 125,5 bilhões negativos vistos no terceiro trimestre de 2010, segundo o Departamento do Tesouro dos EUA.

Destaques corporativos
As ações de construtoras recuam forte em meio aos indicadores negativos para o setor. Os ativos da Toll Brothers e Lennar caem quase 2% nesta tarde.

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Ainda entre as grandes desvalorizações, a varejista Pacific Sunwear despenca mais de 14%. A empresa projetou prejuízos acima do esperado para o atual trimestre.

As ações da Apple também perdem 3,8%, enquanto o JPMorgan rebaixou sua recomendação de outperform para market perform, tomando por base a desaceleração nas vendas da parceira Hon Hai, que foi afetada pelo terremoto no Japão.