Criptoativos

Crise na Ucrânia não está impulsionando a atividade do mercado de criptomoedas, mostram dados da blockchain

Russos estão deixando seu país e levando dinheiro, mas as criptomoedas não foram impactadas — por enquanto

Por  CoinDesk

A crise humanitária e política na Europa, provocada pela invasão russa na Ucrânia, criou uma intensa onda de migração de ambos os países. Para muitos migrantes e refugiados, a criptomoeda é a única maneira tangível de levar suas economias. No entanto, segundo uma pesquisa, isso não teve nenhuma influência notável no mercado de criptomoedas.

A casa de análise de blockchain Crystal Blockchain monitorou as hot wallets (carteiras conectadas à internet) das maiores exchanges de criptomoeda do mercado que trabalham com o rublo russo e a grívnia ucraniana, incluindo marketplaces peer-to-peer como LocalBitcoins e Paxful , e não encontrou flutuações significativas relacionadas à guerra e à migração.

É importante lembrar que as grandes exchanges globais que atendiam pares de trading em rublo introduziram suas próprias sanções contra usuários da Rússia logo após o começo da guerra: a Binance, por exemplo, parou de aceitar pagamentos através de cartões de bancos russos; a CEX.io suspendeu depósitos e saques de usuários do país e da Bielorrússia (aliado da Rússia na guerra); e a CoinZoom pausou registros de novas contas russas.

No começo de março, a Alameda Research indicou que “os volumes de trading russo e ucraniano estavam elevados”. No entanto, a Crystal aponta que não houve nenhum pico notável na atividade on-chain.

Em entrevista à CoinDesk, a casa de análise ainda disse que, nos últimos seis meses, a atividade de transações em várias exchanges de criptomoedas vem diminuindo de forma regular, com fluxos de fundos caindo ainda mais depois do começo da guerra na Ucrânia.

No seu blog, a Chainalysis também declarou que o volume diário de negociação do rublo disparou imediatamente após a invasão na Ucrânia, “crescendo mais de 900% e alcançando US$ 70 milhões entre 19 e 24 de fevereiro, o mais alto desde maio de 2021”, mas, desde então, a atividade só cai, com alguns picos periódicos.

A Chainalysis também reparou picos notáveis na atividade de “baleias russas”, carteiras de criptomoedas com grandes balanços atribuídos a usuários da Rússia pela casa de análise. Segundo ela, em março, essas carteiras enviaram mais de US$ 62 milhões em criptomoedas para outros endereços, principalmente associados a negócios do mercado de balcão e exchanges.

No entanto, a Chainalysis ainda disse que não sabe o que isso poderia significar e se esse gasto estava, de alguma maneira, relacionado à evasão das sanções.

Dinheiro de emigrantes

A invasão na Ucrânia pela Rússia criou uma crise tanto do lado de fora quanto do lado de dentro das fronteiras russas.

Enquanto ucranianos estão deixando suas casas destruídas rumo à Polônia e outros países europeus, russos estão fugindo para escapar da perseguição por seus posicionamentos contra a guerra, visto que a Rússia estabeleceu uma censura draconiana, criminalizando todo discurso público sobre a guerra que foge da posição oficial.

Segundo algumas estimativas, cerca de 200 mil russos podem ter deixado suas casas no último mês, incluindo jornalistas independentes, ativistas políticos, artistas, profissionais de tecnologia da informação e outros que discordam da guerra e da propaganda política anti-Ucrânia. Muitos acabaram na Geórgia, Armênia, Turquia e outros países que não pedem visto na entrada.

Lá, eles foram vítimas de outro tipo de perseguição: a Visa e a Mastercard suspenderam suas operações na Rússia, inutilizando cartões de débito russos no exterior. Empresas de pagamento, como a Western Union, Wise, Remitly e Moneygram, fizeram o mesmo.

Ao mesmo tempo, a Rússia baniu seus cidadãos de levar mais de US$ 10 mil em moeda estrangeira em espécie ao cruzar as fronteiras. Além disso, no dia 9 de março, o país proibiu trading de moedas estrangeiras por seis meses.

Essa combinação de censura financeira doméstica e estrangeira destacou a importância da criptomoeda como uma ferramenta financeira para a nova onda de emigrantes russos, sendo uma das poucas maneiras restantes de levar suas economias ao sair do país ou mandar dinheiro para casa.

Para a Crystal, é provável que a criptomoeda fique mais popular na diáspora russa, mas ainda será apenas um dos “sistemas de transferência de valor informal” usados no futuro próximo.

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