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SÃO PAULO – A crise fiscal europeia atingiu em cheio a confiança do investidor ao redor do mundo no segundo trimestre. Esta é a mensagem que pode ser depreendida do relatório trimestral do BIS (Bank for International Settlements), publicado nesta segunda-feira (14).
De acordo com o banco, influenciados pelos temores em relação à Europa, os investidores estão ignorando os sinais positivos em relação à economia global. “Com esse pano de fundo de elevada incerteza, os participantes do mercado focaram nas condições deterioradas do mercado, frequentemente ignorando notícias macroeconômicas positivas”, afirmou a instituição no relatório.
Um dos exemplos fornecidos pelo BIS foi o Relatório de Emprego dos Estados Unidos de abril. O documento “mostrou que a abertura de vagas cresceu 100 mil postos a mais do que o esperado, para 290 mil, mas o índice S&P 500 caiu 1,5% no dia”, relembrou o banco. Nem mesmo o pacote de resgate oferecido em conjunto pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) e pela União Europeia foi capaz de mudar o sentimento, oferecendo apenas um alívio “temporário”.
Essa falta de confiança, mais do que atingir as bolsas, pode comprometer a recuperação global. “Se os mercados perdessem confiança na credibilidade dos esforços para colocar a política econômica num caminho sustentável, o crescimento global poderia ser significativamente comprometido e uma recessão na forma de W poderia não ser excluída”.
Bancos europeus
Ainda em termos de crise fiscal europeia, o BIC afirmou que os bancos do continente possuíam US$ 254 bilhões em empréstimos para os governos dos PIGS (Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha) ao final de 2009 – 16% da exposição total de US$ 1,58 trilhão a esses quatro países, que inclui também empréstimos a indivíduos e companhias.
Nesse sentido, os bancos de França e Alemanha possuem uma exposição de US$ 493 bilhões e US$ 465 bilhões, respectivamente, o que representa uma fatia de 61% de toda a exposição de financiadores da Zona do Euro, de acordo com o BIS.
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No relatório, o banco afirma que “a dívida do governo conta por uma fatia menor do que a do setor privado em termos de exposição dos bancos da Zona do Euro aos países que enfrentam pressões do mercado”.