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SÃO PAULO – Sempre em busca de uma luz no longo túnel da crise na Zona do Euro, os mercados de ações se posicionam para mais uma sessão negativa nesta quinta-feira (16), em que a crise política e econômica grega volta a ser protagonista, com os indicadores dos EUA no papel de coadjuvantes.
Isto por que o primeiro ministro do país, George Papandreou, formará um novo gabinete e buscará a aprovação do voto de confiança do parlamento – instrumento que confere sustentação política ao governo -, em meio à batalha para conseguir o apoio às duras medidas de consolidação fiscal.
Perspectivas
“O voto de confiança será crítico para determinar o curso dos mercados”, afirmou o analista-chefe do Danske Bank, Allan von Mehren. Nesta manhã, os principais índices de ações europeus registram fortes quedas, enquanto os contratos futuros sobre os benchmarks das bolsas nos EUA sugerem uma abertura em leve queda.
Segundo o chefe de análise da corretora Ágora, Marco Melo, o cenário complexo da crise na Zona do Euro traz “variáveis de risco suficientes para incrementar a perda das commodities, ampliar a volatilidade do S&P 500 e manter a predileção dos investidores pelas ações com beta mais defensivo”.
Caso a Grécia não seja capaz de cumprir com sua parte no acordo com FMI, BCE e o Eurogrupo, com maior esforço fiscal, será difícil para o país receber as novas parcelas da ajuda financeira, aproximando-se cada vez mais de um calote.
No entanto, a Zona do Euro não é o único foco das preocupações dos analistas. A economia norte-americana também tem decepcionado investidores e provocado revisões de projeções por analistas, o que amplia a importância dos dados melhores que o esperado sobre os mercados imobiliário, com o início da construção de 560 mil casas em maio, e de trabalho, com 414 mil pedidos de auxílio desemprego na semana.
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Por lá, o governo de Barack Obama continua a correr contra o relógio para obter a aprovação do aumento do teto da dívida no congresso – o limite é dois de agosto. Caso isto não ocorra, analistas projetam a possibilidade de um calote técnico em títulos públicos, ou seja, em medidas que afetem indiretamente o fluxo de caixa dos credores.
Falando demais
Com isto, os derivativos empregados para proteção contra o calote dos títulos norte-americanos de curto prazo – CDS (Credit Default Swap) – teriam mostrado, na avaliação do ministro da Fazenda Guido Mantega que “o risco Brasil é menor do que o dos EUA pela primeira vez na história”.
No entanto, economistas avaliaram a declaração como um exagero, uma vez que estes derivativos são muito voláteis e não refletem a avaliação de risco soberano adequadamente. Por fim, no caso de títulos com vencimento mais longo, a situação é muito diferente.
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Mais ofertas?
A despeito das dificuldades por que passa o mercado de ações em termos globais, mais uma empresa apresentou os termos de seu IPO (Oferta pública inicial): a Perenco, que atua no segmento de petróleo e gás. Além desta, Brazil Pharma, Technos e Qualicorp também estão em meio a IPOs.
Outro fator de risco importante para o mercado doméstico tem sido a inflação e a perspectiva de aperto monetárioa. Mais uma vez apontando queda do ritmo da inflação, o IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor – Semanal) marcou taxa de 0,02% na segunda semana de junho, teve variação 0,34 ponto percentual menor que a registrada na semana anterior.
Já o Banco Central publicou a ata da última reunião do Copom (Comitê de política monetária), em que sugeriu um processo de ajuste “gradual” da política monetária brasileira, deixando aberto o caminho para novas elevações do juro básico ao longo deste ano.