Ativos de proteção

Crise gera corrida por bitcoins na Argentina e em outros países

Países que passaram - e passam - por crises econômicas têm visto uma forte alta na busca por compra de bitcoins

(Shutterstock)
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SÃO PAULO – Nos últimos anos, as criptomoedas se mostraram uma alternativa para as populações de países em crise. Tratado por entusiastas e especialistas como o “ouro digital”, o Bitcoin em especial tem desempenhado um papel cada vez maior para quem quer fugir das incertezas econômicas.

Um dos grandes exemplos recentes é a Venezuela, que passa por uma grave crise socioeconômica, em que a população enfrenta uma inflação de mais de 1.000.000% (segundo o FMI), alta taxa de desemprego e até mesmo a falta de papel moeda.

Neste cenário, o volume negociado de bitcoins desde o ano passado disparou, já que, mesmo com a volatilidade que ele tem, consegue oferecer proteção contra a hiperinflação e desvalorização da moeda local, o bolívar.

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Agora, mais um país latino-americano tem apresentado este estouro nas negociações de bitcoins por causa de uma crise: a Argentina. Os últimos anos já haviam registrado uma forte alta nos volumes, mas desde maio, quando o assunto eleições ganhou força, a média diária chegou a pouco mais de 12 milhões de pesos – contra cerca de 4,8 milhões no ano passado -, segundo dados do site Coin.Dance.

No último fim de semana ocorreu o pleito presidencial no país, com a vitória da chapa de oposição formada por Alberto Fernández e Cristina Kirchner. E em meio a tanta incerteza política, no sábado (26), houve a segunda maior alta de volume de bitcoins negociados no ano, com 14.151.046 de pesos.

O uso do Bitcoin como ativo de proteção é tão grande, que o volume negociado na Argentina supera em três vezes o período de maior euforia do mercado, no fim de 2017, quando o Bitcoin marcou sua máxima histórica na casa de US$ 20 mil.

Confira no gráfico abaixo ou clicando aqui:

Toda essa procura por bitcoins tem feito com que a criptomoeda passasse a negociar com um prêmio cada vez maior na Argentina.

Enquanto no mercado global o Bitcoin está na casa de US$ 9.300, vendedores argentinos negociam o criptoativo já próximo de US$ 11 mil.

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“Com uma comunidade bastante ativa e demanda crescente, a Argentina é um case perfeito para disseminação do bitcoin como hedge contra instabilidades”, avalia Safiri Felix, diretor executivo da Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABCripto).

E mais um fator pode fazer com que as buscas – e o preço – por Bitcoin aumentem é a recente medida que entrou em vigor limitando a compra de moedas na Argentina por mês a apenas US$ 200 por meio de contas bancárias e US$ 100 em espécie (o limite anterior era de US$ 10 mil por mês).

“A economia argentina é fortemente dolarizada e as restrições cambiais impostas pelo novo governo eleito incentiva a população em busca de alternativas”, explica Safiri. Por outro lado, não há nenhuma restrição para a compra de Bitcoin na Argentina.

Líbano também é exemplo

Outro país que também está começando a chamar atenção para o case das criptomoedas é o Líbano, que enfrenta diversos protestos populares há cerca de duas semanas.

A população tem se manifestado contra os políticos locais, que são acusados de corrupção e de levarem o país em direção à maior crise econômica desde a guerra civil que o país viveu de 1975 a 1990.

Esta situação levou ao fechamento dos bancos no país, afetando o acesso da população à recursos financeiros. Com isso, começou a crescer a busca das pessoas por alternativas que tirem a necessidade da intermediação dos bancos, como é o caso do Bitcoin.

Até mesmo Nassim Nicholas Taleb, autor de “O Cisne Negro” e “Antifrágil”, defendeu o Bitcoin neste cenário.  “O caso de uso mais poderoso para criptomoedas: os bancos nunca estão lá quando você precisa deles”, disse ele no Twitter sobre o fechamento dos bancos no Líbano.

“E eles [bancos] estão tentando intimidar o público para evitar a responsabilidade e desembolsos de lucro. Os banqueiros são bandidos legais”, completou.

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