Crise financeira amplia consciência de longo prazo de investidor

Número de pessoas físicas na Bolsa aumentou durante os períodos mais críticos da crise, mesmo com Ibovespa em queda

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SÃO PAULO – Futuro, aposentadoria, planejamento. A crise financeira mundial, que teve seu auge em setembro do ano passado, mudou o pensamento e hábitos de investidores brasileiros.

De acordo com a consultora Tércia Rocha, o número de pessoas físicas na Bolsa aumentou durante os períodos mais críticos da crise, mesmo com o Ibovespa em queda. Segundo ela, isso mostra a consciência do investidor de que aplicar em ações é construir patrimônio para o longo prazo. “O que é muito importante, pois nossa população não tem o hábito de lidar com isso e a gente está criando essa consciência agora”, explica.

Dentro de casa

Segundo Tércia, o pensamento no longo prazo está sendo disseminado principalmente dentro de casa. “Jovens que veem pais e avós com problemas financeiros, pois a previdência do governo não sustenta mais, passam a se preocupar mais com o futuro”, afirma. “A preocupação com a longevidade da família também interfere nesta questão”, completa.

De acordo com a consultora, fica mais fácil pensar no longo prazo quando se tem um caso dentro de casa. “Essa situação leva investidores a entender que precisam guardar dinheiro e que não vão mexer nele tão cedo”, revela. “Quando a gente mostra contas, faz exercícios, fica bastante palpável a importância do planejamento e do uso adequado do dinheiro ao longo da vida”.

Investidores

Dados da BM&F Bovespa, divulgados mensalmente, mostram que, em setembro de 2008, a CBLC (Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia) contabilizava 527.692 contas de investidores pessoas físicas. Ao final do ano, a CBLC registrava 536.483 contas de investidores de varejo, ou seja, um acréscimo de quase 2% em plena crise financeira e um crescimento de 17,5% sobre o fechamento de 2007.

De acordo com a BM&F Bovespa, os números mostram que “a pessoa física brasileira finalmente aprendeu que o investimento em Bolsa é no longo prazo e que não deve deixar o mercado quando o preço das ações não condiz com os fundamentos da economia brasileira e as perspectivas das companhias investidas”.

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Se compararmos o gráfico do Ibovespa, que caiu no segundo semestre de 2008, com o do número de pessoas físicas na Bolsa, veremos que eles são inversamente proporcionais, ou seja, à medida que o valor das ações diminuía, mais pessoas físicas entravam na Bolsa, como mostra a tabela abaixo:

Mês Ibovespa Pessoas físicas % Pessoas físicas
Julho/2008 59.505 528.769 24,5%
Agosto/2008 55.680 529.089 24,3%
Setembro/2008 49.541 527.692 27,5%
Outubro/2008 37.256 542.142 29,7%
Novembro/2008 36.595 548.706 34%
Dezembro/2008 37.550 536.483 29,5%