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SÃO PAULO – Como o cenário das bolsas mudou de forma abrupta com o avanço da crise, o mercado de commodities se mostra como um dos territórios mais afetados pelos problemas econômicos. Diante das projeções de menor crescimento global, a perspectiva é de choque na demanda por diversos produtos. Além de quebrar o ciclo deste mercado, a crise deve levar diversas matérias-primas ao excesso de oferta em 2009.
Esta projeção é reforçada pelos analistas do Citigroup. Para a instituição, todas as commodities de seu universo de cobertura, grãos e metais, devem atingir excedente de produção no próximo ano.
O argumento para esta visão não poderia ser outro além da crise. Apesar da maior responsabilidade dos emergentes, a demanda por estes produtos tende a ser duramente impactada pela perspectiva de que as nações mais desenvolvidas mergulhem em recessão.
Além dos desenvolvidos, a China, emergente mais importante para este mercado, deve amargar desaceleração dos 18,2% de avanço da atividade industrial em 2007 para algo em torno de 10,2% em 2009. Paralelamente, o PIB (Produto Interno Bruto) norte-americano caiu 0,3% no terceiro trimestre, enquanto o da Espanha, por exemplo, recuou 0,2% no período.
Cortes de produção nos metais
Após diversas siderúrgicas internacionais anunciarem cortes em suas produções e com o minério de ferro já em trajetória declinante no mercado spot asiático, a Vale anunciou medidas nesta sexta-feira (31) para se adequar ao cenário de desaceleração do crescimento da economia global.
De acordo com o release da mineradora, a indústria siderúrgica em diversas regiões do mundo vem anunciando cortes de produção, estimados em aproximadamente 20% da produção global em 2007. A Vale paralisará a operação em algumas minas, a fim de retrair a produção de minério de ferro em volume equivalente a 30 milhões de toneladas métricas anuais.
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“Nos parece a atitude mais sensata a se tomar neste momento, principalmente porque seus clientes de maior peso, as siderúrgicas, se encontram em fase de retração”, destaca a corretora Brascan. Para o Citi, a possibilidade de ajustes produtivos é instrumento importante para a sustentação dos preços.
Maior risco para os grãos
Caso as economias continuem a se deteriorar, o Citi acredita que o mercado de grãos apresenta a maior tendência de desvalorização no próximo ano. De uma projeção anterior de valorização de 10% em 2009, a equipe de análise agora prevê uma retração próxima de 20% nos preços deste mercado.
Também nesta sexta-feira, o banco suíço UBS reduziu suas estimativas para os preços das commodities em 37% na média para 2009.