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SÃO PAULO – Em meio a questionamentos sobre o status do dólar, parte dos economistas cita o potencial de substituição representado por euro, iene ou libra. A recente valorização das moedas européias ou asiáticas, somada a uma ampla circulação, torna-as candidatas ao posto de principal divisa internacional.
Mas falta muito às concorrentes. Apesar do enfraquecimento atual, a moeda dos EUA ainda é um parâmetro hegemônico dentro da economia global. E como explicou o presidente do Fed, Ben Bernanke, se amanhã o barril de petróleo for denominado em euros, ele continuará sendo comprado com dólares.
O exemplo didático tem apelo especial diante da forte demanda por petróleo, assim como por outras commodities. Na verdade, são elas – e não o euro ou o iene – que mais ameaçam o reinado da divisa norte-americana.
Reservas de valor
Commodities não são instrumentos adequados para meio de troca ou unidade de conta, mas fazem bom papel substituto à função de reserva de valor, tradicionalmente exercida pelo dólar. Por isso investidores têm aproveitado o petróleo, metais e gêneros agrícolas para montar posições defensivas em um ambiente de crise.
Nesse sentido, as commodities assumem um caráter monetário relevante, algo um tanto o quanto peculiar para referências canônicas de ativos reais. As influências usuais de oferta e demanda continuam sendo consideradas. Porém, cada vez mais acompanhadas do contexto financeiro.
O ouro-moeda
O argumento fica ainda mais claro diante do exemplo radical do ouro, que superou patamares históricos ao atingir US$ 1.000 por onça. Poucos analistas justificariam esse movimento através de um pico de demanda, ou gargalos na extração do metal. As explicações preferidas baseiam-se no metal como reserva de valor em tempos de insegurança. O ouro como moeda, portanto, mesmo sem cunha.