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SÃO PAULO – Recentemente o mercado de commodities apresentou expressiva variação de preços em seus principais contratos futuros, mostrando que as matérias-primas não estão alheias à crise proveniente dos Estados Unidos.
Com a possibilidade da economia norte-americana mergulhar em um quadro recessivo, a preocupação em torno da demanda pelas commodities é questionada e alimenta perspectivas de declínio em grande parte dos produtos.
Por olho lado, alguns investimentos, como o de ouro e metais preciosos, se valoriza com a busca de parte do mercado por alternativas mais “seguras” de aplicação, o que caracteriza a associação de “safe heaven” ao ouro, por exemplo.
Tendo em vista a grande dependência brasileira deste mercado, as bruscas oscilações de preço nos contratos de metais básicos e energia, principalmente, mexem forte com o desempenho da bolsa, que tem seus papéis de maior liquidez atrelados a este ramo de atuação.
Emergentes em foco
Os “teóricos dos ciclos” do mercado de commodities mantêm suas apostas de que a trajetória ascendente dos preços das matérias-primas continua intacta em meio ao agravamento da situação norte-americana, ressaltam os analistas do Citigroup.
Mas de acordo com a instituição, a cada indicador que alimenta as preocupações com a saúde financeira da maior economia do mundo, cresce entre os investidores a crença de riscos maiores ao mercado das commodities industriais, fator que anda na contramão com a visão dos teóricos citados anteriormente.
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Com base nestas premissas, os analistas do Citi buscaram ressaltar que a importância dos países emergentes para o desenvolvimento da economia global no longo prazo servirá de base para a resistência dos preços das commodities.
História sugere brusco movimento
Para se ter uma boa amostra da reação das matérias-primas aos períodos de crise, basta avaliar a resposta histórica deste mercado nos grandes ciclos de turbulência à economia global.
De olho neste fator, o Citi ressaltou que mesmo considerando as necessidades de investimento em infra-estrutura de países como China, Índia, Rússia e Brasil como eventual potencializador de preços dos contratos dos metais industriais e energia, a tendência histórica nas crises anteriores indica que o movimento pode ser brusco no segmento.
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O exemplo utilizado pelo Citi remete à década de 1970, em que, a despeito do expressivo desenvolvimento japonês, a instabilidade nos mercados globais empurrou o valor dos contratos futuros das commodities para patamares não antes explorados, o que justifica o fato de grande parte dos níveis históricos de preços se situarem naquele período.
A fim de reforçar esta opinião, o Citi destacou que em períodos anteriores de recessão, a variação média do preço das commodities relaciona declínio próximo de 19%.