Crise bancária dos EUA não é única e acumula 124 diferentes precedentes

Merrill Lynch estuda relatório enviado pelo FMI e destaca o que podemos tirar das outras crises; entre elas a asiática e a japonesa

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SÃO PAULO – Depois de enfrentarmos 124 crises bancárias diferentes durante os últimos 27 anos, o banco de investimentos Merrill Lynch afirma: “A crise bancária norte-americana tem precedentes e não é única”.

Reavaliando suas conclusões, depois que um recente relatório sobre o assunto foi divulgado pelo FMI (Fundo Monetário Internacional), o banco de investimentos citou algumas lições que podem ser tiradas das crises enfrentadas no Japão e nos emergentes asiáticos.

Entre elas, seus analistas afirmam que a dos tigres asiáticos nos ensinou que é imprescindível que o governo dos EUA informe ao mercado quais instituições financeiras irão sobreviver e quais não. Para eles, só assim possivelmente ocorreria uma garantia de intervenção governamental que injetaria liquidez no mercado monetário.

Características das crises bancárias

“Metade das crises bancárias coincide com as crises monetárias”. De acordo com o relatado, a maioria caracteriza-se pelas corridas bancárias com um extenso suporte à liquidez que são usados para minimizar os impactos. Além disso, quase sempre há a intervenção estatal, quando os bancos são, na maioria dos casos, recapitalizados pelo governo e as agências de reestruturação bancária e companhias de asset management são acionadas.

Ademais, a Merrill Lynch observa também que, na maioria dos casos, estes programas de socorro vêm acompanhados de algumas condições, além da política monetária se manter neutra e com uma política fiscal expansionista. Paralelamente, a inflação e a desvalorização do câmbio costumam ajudar a reduzir os encargos orçamentários gerados pela crise.

Uma verdade inconveniente

Em média somando cerca de 13,3% do PIB, o custo líquido fiscal destas crises bancárias deixa poucas chances para o governo realizar algum lucro frente aos seus programas de recapitalização. De acordo com os estudos, a média de recuperação dos gastos é de apenas 18% do custo fiscal bruto.