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SÃO PAULO – O investimento industrial total do estado de São Paulo em máquinas, equipamentos e P&D (Pesquisa e Desenvolvimento de Inovação Tecnológica) deverá ser reduzido em 20,9% este ano, quando comparado a 2008, para R$ 21,4 bilhões. Além disso, a crise econômica e a incerteza quanto ao futuro financeiro do País fizeram com que 25% das empresas que atuam no estado paulista desistam de investir. No ano passado, 11% compartilhavam desta ideia.
Assim, a quantidade de recursos que os empresários irão utilizar para investimentos em 2009 é de 4,5% do faturamento. No ano passado, as empresas industriais investiram, em média, 5,8% do seus respectivos orçamentos.
Estes dados fazem parte da “Pesquisa Ipsos-Fiesp sobre a intenção de investimentos em 2009: O Impacto da Crise”, que teve como objetivo analisar quais os efeitos nos diferentes portes de indústrias e quais as estratégias setoriais de intenção de investimentos, não só em Formação Bruta de Capital Fixo, como também em Inovação (gestão e processo) e em P&D.
Investimentos
Os investimentos em Máquinas e Equipamentos foram os mais afetados pelo cenário de incerteza econômica. No ano passado, 73% da proporção de investimento da indústria foi destinado para essa finalidade. Já esse ano, esse tipo de investimento, responsável sobretudo pela expansão e modernização da produção, representará 67%, uma retração de R$ 20,5 bilhões.
Com isso, além de causar impacto nas metas de desenvolvimento das empresas, a redução do investimento refletirá nos empregos industriais. Segundo estimativas da pesquisa, os R$ 20,5 bilhões a menos ocasionarão uma redução de 700 mil vagas na indústria diretamente, nos próximos três anos. Ao juntar os empregos afetados de forma indireta, este número sobe para 1,5 milhão de postos de trabalho a menos no período.
Por outro lado, os investimentos em Inovação (gestão, produto e processo), assim como os investimentos em P&D, ainda que tenham sido afetados pela crise, ganham importância para as empresas. Em 2008, os investimentos em inovação representavam 17% do total de recursos das companhias. Já este ano os investimentos chegarão a 21%. Os investimentos em P&D também irão subir, saltando de 10% no ano passado para 12% em 2009.
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Porte das empresas
A propensão a investir acompanhou o porte das empresas tanto no ano passado quanto neste ano. As grandes são as que mais investem, seguidas pelas médias e pequenas.
As empresas de grande porte investirão neste ano 4,7% do faturamento, contra 6,4% no ano passado, o que representa queda de 26,6%.
As pequenas empresas investirão 4,8% do seu faturamento, o que significa a quantia de R$ 7,3 bilhões. Na comparação com o levantamento anterior (5,4%), houve uma redução de 22,4%.
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Já as médias empresas serão as que menos investirão em 2009: 4% do seu faturamento. Isto ocorre devido à dificuldade na concessão de crédito e à falta de programas do governo para estimular o crescimento destas companhias.
Destino dos investimentos
Durante este ano, 62% dos recursos das pequenas empresas irão para investir em máquinas e equipamentos. Em seguida, 26% dos recursos terão como prioridade a inovação (gestão, produto e processo), e, por último, 12% serão investidos em pesquisa e desenvolvimento.
Já 67% dos recursos das médias empresas também irão para máquinas e equipamentos. Logo depois, 19% dos recursos de investimento irão para inovação e 14%, para pesquisa e desenvolvimento.
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As grandes empresas, por sua vez, irão disponibilizar 71% dos seus recursos em investimentos para máquinas e equipamentos. A segunda prioridade será investir 19% dos recursos em inovação; outros 10% vão em pesquisa e desenvolvimento.
Estratégia por porte
O estudo também revelou que 51% das pequenas empresas têm como estratégia ações voltadas para o mercado, com o objetivo de investir para aumentar o faturamento e/ou a rentabilidade. Com o intuito de atingir esta meta, as empresas de pequeno porte pretendem lançar mão da aquisição de máquinas e equipamentos, combinada com o desenvolvimento de novos produtos. Isso revela que estas empresas devem estar adequando o seu maquinário para desenvolver novos produtos, o que explica a aquisição de máquinas no momento de crise.
Já 61% das médias empresas querem investir para diminuir os seus custos. Para isso, metade delas irá melhorar as suas gestões. Conclui-se então que as médias empresas investem para ganhar eficiência produtiva, particularmente na organização do processo de produção.
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Assim como as médias, as empresas de grande porte querem investir para diminuir os seus custos. Entretanto, essas companhias pretendem fazer isso através de investimentos em inovação ou melhoria em processo, adquirindo máquinas e equipamentos e demonstrando preocupação com eficiência produtiva.
Quanto ao principal fator que impede os investimentos, indiferentemente do porte, as empresas apontaram a elevada carga tributária. Esta opção foi indicada por 61% dos empresários das pequenas empresas e 69% dos representantes das médias empresas.
Sobre o estudo
Com o objetivo de analisar a intenção das empresas industriais em investir em 2009 e comparar com o ano anterior, para verificar as principais mudanças em relação aos efeitos da crise, a Fiesp realizou, em conjunto com a Ipsos, uma pesquisa com 1.204 empresas distribuídas em diferentes portes e setores, entre os dias 26 de novembro e 23 de dezembro de 2008, questionando-as sobre os investimentos realizados em 2008, a intenção de investir em 2009 e suas estratégias ao realizar estes investimentos.