Criador do termo Bric e estrela do Goldman Sachs, Jim O’Neill irá se aposentar

Economista, que está há 18 anos no Goldman Sachs, não decidiu ainda o que irá fazer quando sair do banco; O'Neill, de 55 anos, iniciou a sua carreira em 1982, no Bank of America

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SÃO PAULO – O chefe de pesquisa de economia global do Goldman Sachs, Jim O’Neill, conhecido por criar o termo Bric (Brasil, Rússia, China e Índia) em 2001 para designar os países com boa oportunidade de crescimento, irá se aposentar neste ano.

O’Neill, de 55 anos, irá deixar o cargo que ocupa como chefe da divisão de ativos do grupo, cargo que ocupa desde 2010. Ele ingressou na empresa, que possui sede em Nova York, em 1995 como um parceiro, tornou-se chefe de economia global, commodities e de pesquisas e estratégia em 2001. Em 2006, o economista ingressou no comitê de gestão europeu.

O economista afirmou à Bloomberg que não decidiu o que irá fazer quando sair do banco. Com a saída de Jim O’Neill, Tim O’Neill e Eric Lane continuarão a co-dirigir a gestão de ativos. De acordo com a porta-voz do Goldman Sachs, Andrea Raphael, não há nomes para a substituição de Jim O’Neill como presidente da divisão, cargo criado para ele quando se uniu ao grupo, disse à Bloomberg.

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Mesmo com a aposentadoria do Goldman Sachs, há indicativos de que o economista não pare de trabalhar. Em outubro, O’Neill foi perguntado se iria substituir Mervyn King como o próximo presidente do BoE (Banco da Inglaterra). Entretanto, ele afirmou que esta proposta não se aplica, por não julgar apropriado. 

Criador do termo Brics à torcedor fanático do Manchester
O economista Jim O’Neill ficou conhecido internacionalmente ao cunhar o termo Bric após os ataques terroristas às Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2001. O’Neill usou o termo para mostrar a maior influência do Brasil, Rússia, Índia e China sobre a economia global, em movimento contrário à influência cada vez menor dos EUA. Nos anos seguintes, ele se tornou uma das maiores referências sobre economia e perspectivas do Goldman Sachs.

Em 1982, após ter concluído o PhD na Universidade de Surrey, o economista começou a sua carreira em finanças ao entrar no Bank of America. Posteriormente, O’Neill foi chefe de pesquisa global para o Swiss Bank, onde ingressou em 1988 e ficou até 1991. 

Após iniciar a passagem no Goldman Sachs em 1995, ele foi nomeado em 2010 como presidente da gestão de ativos do banco, gerenciando assim mais de US$ 800 bilhões em ativos, “alavancados” por sua perspectiva global para os mercados mundiais.

Durante o seu período no Goldman Sachs, ele manteve as suas publicações sobre a economia global, além de apresentar estratégia inovadora de investimentos para os seus clientes. Em seus relatórios, ele combina pontos de vista sobre perspectivas econômicas a detalhes de suas viagens e comentários sobre o desempenho do Manchester United, time inglês do qual ele é torcedor fanático.

O seu relatório mais recente, de 25 de janeiro, citou que há evidência considerável de que as economias estão melhorando em todo o mundo e sugeriu que o iene está “extremamente valorizado”.

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O’Neill sempre se mostrou otimista sobre as considerações de que “os mercados emergentes são o futuro”, mesmo quando o crescimento das economias abrandou. Em 2011, o economista foi considerado no ranking das 50 personalidades mais influentes do mundo pela revista Bloomberg Markets.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.