Crescimento não é preocupação na China, mas a inflação sim

Números indicam continuidade do aperto monetário no país, mas sem pôr em perigo o crescimento, que pode chegar a 9,6% em 2011

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SÃO PAULO – Na madrugada desta quinta-feira (20), a China surpreendeu ao mostrar avanço do PIB (Produto Interno Bruto) de 9,8% no período entre outubro e dezembro, acelerando o ritmo em relação ao trimestre anterior, quando marcou alta de 9,6%. Com o número mais forte, o JP Morgan optou por elevar a estimativa de crescimento do produto chinês em 2011 para 9,6%, frente 9,1% anteriormente.

“Os dados confirmam o momentum da economia em diversos setores ao longo do quarto trimestre, com tendência de crescimento em sólido ritmo da demanda doméstica e uma notável recuperação das exportações, aliado à melhora do cenário internacional”, escreveu a equipe de pesquisa econômica do JP Morgan para a Ásia. 

A produção industrial e as vendas no varejo também avançaram com mais força do que o previsto, mas apesar dos números robustos apresentados pela China, Dang Jao, analista do Credit Suisse, não acredita que essa bateria de dados deverá alterar o curso da política econômica praticada por Beijing, avaliando que um brando aperto monetário deve continuar em curso, ainda que com expansão fiscal. 

“Em nossa visão, o crescimento não é bem uma preocupação, mas a inflação deve ser observada atentamente”, apontou Tao em relatório. Apesar de ter desacelerado em novembro, analistas observam que a inflação continua a ser um problema, e que deve voltar a subir em 2011. O JP Morgan, por exemplo, aponta que os preços de alimentos já aumentaram no final de dezembro, por causa do mau tempo, uma tendência que deve se prolongar, chegando ao pico na metade do ano.

Inflação nos alimentos, nos serviços…
A magnitude da desaceleração para 4,6% dos preços ao consumidor foi inferior à antecipada, declarou o Goldman Sachs, o que pode ter contribuído para o aumento das exigências de reservas na última semana, já que a autoridade monetária chinesa recebeu os dados antes da divulgação para o mercado. 

Na contramão, os preços não relacionados a alimentos subiram no último mês, uma tendência que deve se estender para este ano. O Credit Suisse alerta para uma possível emergência da inflação de serviços, dado o grande aumento de salários em 2010, com reajustes de até 40% para trabalhadores em migração.

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Ainda assim, o Goldman Sachs declara que o pior da combinação entre inflação e crescimento ficou para trás, até porque devem ser colocado em prática relaxamento de restrições da oferta em 2011. Mesmo assim, a demanda agregada expandida irá pedir ajustes monetários, especialmente porque a China já mostrou que não pretende apreciar o câmbio. 

Aperto monetário: sem errar para mais
A opção é, então, apertar as condições de liquidez domésticas. Além dos aumentos de exigências de reservas, também são esperados duas altas de 25 pontos-base cada na taxa de de juros, além de apreciação de 6% do yuan frente ao dólar. “Isto irá provavelmente levar à desaceleração na oferta de crédito e capital, o que por sua vez terá impacto na atividade e na inflação, levando-os para valores próximos a 10% e 2,5%, respectivamente”, apontou o Goldman Sachs em relatório. 

O Credit Suisse acredita que a China continuará a favorecer medidas quantitativas, como aumento das exigências de reservas e controle das atividades de empréstimo. “O processo tem sido mais frequente desde setembro, mas a autoridade monetária está adotando pequenos passos para o processo de normalização”, apontou Tao em relatório, embora acredita que, de qualquer maneira, uma alta dos juros será inevitável.  

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O JP Morgan, por sua vez, aposta em duas elevações adicionais das exigências de reservas, três altas de juros, com a primeira ainda neste trimestre, e apreciação do yuan. Para o banco, as novidades na política monetária do país podem ser carregadas nos próximos meses, já que a inflação continua alta e a economia enfrenta riscos de superaquecimento. Ainda assim, a China já deixou claro que sua principal prioridade é o crescimento estável, e por isso o aperto não deve ser estrito demais.