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SÃO PAULO – Como amplamente já esperado pelo mercado, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) optou, em sua reunião na última quarta-feira, pela manutenção da taxa Selic no patamar de 11,25% anuais.
Em decisão unânime, esta foi a segunda vez consecutiva neste ano que a autoridade decidiu por manter o juro básico brasileiro e, pausando, desta forma, o processo de flexibilização monetária que vinha sendo implementado.
De fato, segundo os analistas do Santander, dificilmente outra medida teria sido aplicada pelo colegiado, dado as evidências de crescimento robusto no país, sustentado pela expansão do crédito e pelo desempenho positivo que vem sendo registrado pelo mercado de trabalho.
Inflação e crescimento descompassado
Apesar de considerar que as perspectivas inflacionárias encontrem-se, ao menos por ora, ancoradas, o Santander acredita que indicadores do setor industrial recentemente divulgados demonstram um crescimento acelerado do setor, favorecendo o risco de maiores pressões inflacionárias no futuro.
“Alguns indicadores domésticos reforçaram a necessidade de maior cautela com a política monetária, como o NUCI (Nível de Utilização da Capacidade Instalada), que atingiu seu pico histórico”, afirmou o Bradesco, referindo-se ao índice que atingiu 82,8%, segundo divulgado pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) na última quarta-feira.
No mesmo sentido, os analistas da corretora Arkhe acrescentam ainda que o início de 2008 apresenta-se como um período incerto, tanto no plano externo, com as tensões em torno do subprime, quanto no doméstico, com um descompasso entre a demanda e oferta, o que sugere a continuidade de um consumo crescente no próximo ano.
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“Apesar das projeções de crescimento, com um aumento da renda, elevação do emprego e expansão do crédito, os riscos de uma desaceleração econômica global e as incertezas em relação à postura do governo sobre seus gastos fiscais devem limitar movimentos mais agressivos de queda dos juros”, argumentaram os analistas da Arkhe.
Divergência quanto ao futuro da Selic
Apesar da análise relativamente consensual dos fatores que levaram a autoridade brasileira a manter o juro básico do país em seu atual patamar, os analistas divergem quanto aos rumos que a política monetária vá trilhar no próximo ano.
Mais cautelosos, os analistas do Santander acreditam que a taxa Selic possa permanecer inalterada ainda por vários trimestres. Já as equipes do Credit Suisse e Unibanco prevêem que a tendência de cortes vá ser retomada pelo Copom no segundo semestre de 2008, ano este em que o juro básico deve encerrar a 10,25% anuais.
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Perspectiva semelhante é adotada pela corretora Arkhe. “A princípio, os juros poderiam voltar a recuar a partir da reunião do mês de junho, com a autoridade promovendo três reduções ao longo do ano, encerrando 2008 com uma taxa Selic no nível de 10,25% ao ano”, esperam os analistas.