Cresce o pânico com a celeridade do avanço da Operação Lava Jato

O indiciamento de dirigentes da Odebrecht e da Andrade Gutierrez e a condenação a até 15 anos de prisão de três ex-executivos da Camargo Corrêa são vistos como um movimento dos investigadores para evitar uma “Operação Abafa” que segundo eles estaria em curso

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Os largos passos dados pela Operação Lava-Jato levou mais pânico ainda ao mundo político e empresarial nos últimos dias. Em menos de uma semana, as noticias dos avanços das investigações da Polícia Federal, do Ministério Público e das ações do juiz Sérgio Moro geraram fatos (e barulhos) de tirar o fôlego de Brasília e adjacências.

O estupor chegou ao auge ontem com a divulgação da condenação pela Justiça Federal do Paraná, de três ex-executivos (pediram demissão depois da prisão) da empreiteira Camargo Corrêa por pagamentos de propinas no caso petrolão. Duas condenações a mais de 15 anos de cadeia, mesmo com a colaboração nas investigações com a delação premiada.

Outros eventos recentes indicam que os processos não vão parar ou reduzir o ritmo. O mais lento é que envolve políticos com foro privilegiado, dependentes de ações do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça. Contudo, mesmo quanto a esse, já há sinais de que algumas definições podem sair nos próximos dias.

Essa expectativa explica, por exemplo, o destempero do presidente da Câmara, Eduardo Cunha. E as críticas cada vez mais duras do presidente do Senado, Renan Calheiros, ao governo. Os dois temem, conforme Brasília comenta, uma ação da PF como a que atingiu na semana passada o senador Fernando Collor e outros políticos ou até um pedido de prisão preventiva.

Outras amostras de que o cerco aos suspeitos está avançando:

  1. O pedido de abertura de investigação contra o ex-presidente Lula por suspeita de favorecimento à Odebrecht. Ontem, divulgou-se que Portugal, a pedido das autoridades brasileiras, está ajudando nas investigações da Lava-Jato. “O Globo” de domingo divulgou supostos esforços de Lula junto ao governo português para facilitar negócios da empreiteira.
  2. O indiciamento, com menos de um mês de detenção, dos presidentes e executivos da Odebrecht e da Andrade Gutierrez, ainda presos em Curitiba.
  3. A retomada da delação premiada do lobista Júlio Camargo, que acabou gerando a denúncia de que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, teria cobrado US$ 5 milhões de dólares para facilitar negócios de empresas na Petrobras.

A análise corrente para essa fase mais ativa do MP, da PF e da Justiça é a de que é uma reação aos movimentos dos grupos envolvidos em suspeitas para desmoralizar ou anular os trabalhos dessas instituições. Os responsáveis pelas investigações estão vendo sinais de que há um movimento para tentar inutilizar, anular todo o processo da Operação Lava-Jato. Estaria em curso, desde Brasília, uma grande operação “Abafa-Jato”.

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O tom da defesa de alguns dos suspeitos, especialmente dos empresários, despertou a atenção de policiais, promotores e do Judiciário do Paraná. A reação deles seria tornar alguns fatos consumados na medida em que tiverem segurança das provas levantadas, e divulgar o máximo de informações disponíveis para neutralizar as ações contrárias com o apoio da opinião pública.

ATENÇÃO

AJUSTE FISCAL – Informa o jornal “O Globo” que a equipe econômica vai manter no Relatório Bimestral do Orçamento, a ser divulgado amanhã, a meta de superávit primário de 1,13% do PIB. Para cumprir a promessa de economia de R$ 66,3 bilhões para abater a conta dos juros dívida pública, vai reforçar a busca de receitas extraordinárias, como os pretendidos de R$ 20 bilhões a R$ 25 bilhões com a repatriação de capitais brasileiros no exterior. Inicialmente é uma vitória do ministro da Fazenda, Joaquim Levy contra a face política do governo e a base aliada.Com conjunto de medidas que a Fazenda está estudando – venda do IRB, venda da folha de pagamento, aperto da cobrança de impostos atrasados (a Petrobras aceitou pagar na semana passada R$ 1,6 bilhão de uma multa que tinha recebido da Receita Federal) o Ministério da Fazenda pretende um reforço de caixa próximo dos R$ 50 bilhões. Noticia a “Folha de S. Paulo” que o próprio governo calcula que sem essas receitas extraordinárias e mais aperto nos gastos o superávit ficará próximo de zero no fim do ano. A grande preocupação de Levy agora é evitar um rebaixamento da nota de crédito do Brasil.

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AUMENTO DO JUDICIÁRIO – Termina hoje o prazo para a presidente Dilma Rousseff vetar ou sancionar o aumento de até 78% para os servidores do Judiciário aprovado pela Câmara e pelo Senado. Dilma, em mais de uma ocasião, inclusive em sua mais recente viagem ao exterior, já deu sinais de que não aprovará o ajuste. O Palácio do Planalto deverá acompanhar o veto de uma sugestão de criação de um grupo para estudar a questão. A presidente teria conversado sobre o assunto com o presidente do Supremo, Ricardo Lewandowski, quando eles se encontraram duas semanas atrás em Portugal. O veto é mais uma amostra de que a presidente pretende dar de sua disposição de cumprir o estabelecido para ajuste das contas públicas.

Outros destaques dos

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jornais dia 

– NOTAS DE CRÉDITO NO BRASIL – O Brasil tem dado um bom trabalho às agências de classificação de risco. A Moody’s Investors Service, a Standard Poor’s e a Fitch Ratings fizeram 93 downgrades corporativos, ou corte de nota de crédito, desde o dia 1º de janeiro, número que já é maior do que em qualquer ano inteiro desde 2002. E mais cortes podem estar por vir. A enxurrada de cortes é emblemática do agravamento da crise que tem acometido o Brasil, com a disseminação do escândalo de corrupção e a maior contração econômica em um quarto de século. Com isso, crescem especulações de que a Moody’s — que se reuniu com autoridades do governo brasileiro na semana passada — vai cortar a nota soberana do país, em um movimento que poderá deflagrar rebaixamentos de empresas que têm suas notas ligadas à do governo, como companhias e bancos estatais.

 

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MAIS:

– “Empresas aéreas brasileiras e estrangeiras cortam voos no Brasil” (Globo)

– “Crise dificulta reajustes salariais acima da inflação no segundo semestre” (Globo)

– “Bradesco negocia ativos do HSBC com exclusividade e venda está prestes a sair” (Estadão)

– “Cresce aperto sobre quem não consegue pagar carro” (Folha)

– “Brasil já paga taxa de juros de país sem grau de investimento” (Folha)

– “Recessão trava créditos do BNDES para rodovias” (Valor)

– “Brasken propõe mudar cálculo do preço da nafta” (Valor)

– “Barbosa diz que frustração de receitas vai exigir medidas do governo” (Valor)

– “Ajuste empurra contratações novas do ‘Minha Casa’ para 2016” (Valor)

LEITURAS SUGERIDAS

1.      Editorial – “O Congresso, entre a manipulação e a crise” (diz que a questão é saber se os partidos, inclusive a oposição, se deixarão usar por Eduardo Cunha e Renan Calheiros na estratégia de criar problemas para o Palácio do Planalto) – Globo

2.      José Paulo Kupfer – “Dilemas do ajuste” (diz que o governo pode até manter a meta de superávit primário, o problema será combinar com o Congresso Nacional) – Estadão

3.      Editorial – “Credibilidade, o maior déficit” (comenta a deterioração das expectativas econômicas e diz que as providências que o ministro Levy está tomando para garantir o superávit primário não configuram um ajuste real, duradouro) – Estadão

4.      Celso Ming – “Na mira, as pedaladas” (comenta as respostas que o governo prepara para entregar ao TCU amanhã sobre dúvidas levantadas nas contas de 2014 e diz que algumas delas são de difícil sustentação) – Estadão

5.      Delfim Netto – “A cobra mordeu o rabo…” (diz que para recobrar a confiança é preciso reconhecer que a “conjuntura” está mesmo tão mal quanto parece e que a “estrutura”está ainda pior) – Valor