Crédito solidário é opção barata para empreendedor com poucos recursos

Com juros entre 1% e 4% a.m, crédito solidário baseia-se em princípios como colaboração entre as pessoas e economia solidária

Gladys Ferraz Magalhães

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SÃO PAULO – Cansado de bater o ponto todos os dias, do chefe que nunca te elogia, dos colegas que estão sempre de mau-humor? Talvez seja a hora de abrir o seu próprio negócio. Não tem muitos recursos? O crédito solidário pode ser uma opção.

Com taxas de juros que variam entre 1% e 4% ao mês, o crédito solidário é baseado em princípios como economia solidária e colaboração entre as pessoas. Suas principais formas de representação se dão por meio de cooperativas de crédito, microcrédito, cartões de crédito solidários e fundos rotativos (espécie de consórcio comunitário).

Atualmente, o país conta com cerca de 22 mil empreendimentos da economia solidária, que movimentam aproximadamente R$ 8 bilhões por ano, entretanto, tem potencial para expandir de forma significativa.

“Há espaço para crescer muito mais. Hoje existem no Brasil cerca de 40 milhões de pobres e apenas 1 milhão têm acesso ao microcrédito, que já provou ser uma poderosa arma contra a pobreza e a desigualdade social”, avalia o presidente da Ecosol (Cooperativa Central de Crédito e Economia Solidária), Gilmar Carneiro.

Como funciona?

Segundo Carneiro, o crédito solidário visa, especialmente, aos empreendedores provenientes das classes C e D, e é muito comum em comunidades pequenas. Nesta modalidade de financiamento, um grupo de pessoas se reúne e fica como avalista do tomador de crédito.

Os limites emprestados são proporcionais à renda da comunidade e os prazos de pagamento são de 24 meses, em média. Quem precisa de valores baixos, geralmente, se utiliza do microcrédito, cujo empréstimo máximo é de R$ 10 mil, no máximo. Já quem precisa de valores maiores recorre às cooperativas.

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“O crédito solidário têm uma lógica diferente da qual o pessoal está habituado, que é a do lucro acima de tudo. O microcrédito, por exemplo, é importante para aqueles empreendedores que não chegam a ser microempresários, porque abrange empréstimos de até R$ 10 mil. A partir daí entram as cooperativas, que podem emprestar valores superiores, usando para isso o dinheiro aplicado pelos cooperados. Faz assim o dinheiro se movimentar e ajuda a fortalecer um sistema mais saudável de crédito.”