Credit Suisse eleva preço-alvo do Ibovespa para 55 mil pontos ao final de 2009

Contudo, projeção para o meio do ano permanece em 47 mil pontos; bancos, imobiliárias e elétricas são vistos com otimismo

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SÃO PAULO – Levando em consideração uma redução de 100 pontos-base no custo de capital projetado para o mercado brasileiro, o Credit Suisse elevou o preço-alvo do Ibovespa de 49 mil para 55 mil pontos ao final do ano.

De acordo com a explicação do banco, a alteração se deve principalmente à manutenção do CDS (Credit Default Swap) do Brasil com vencimento em cinco anos em patamares abaixo dos 250 pontos-base. Dessa forma, os analistas reduziram o custo de capital estimado, o que elevou preços-alvos de diversas empresas no universo de cobertura do Credit Suisse.

Contudo, a instituição manteve o preço-alvo do Ibovespa para o meio deste ano em 47 mil pontos. Por quê? “Simplesmente porque nós acreditamos que os mercados devem estar relutantes em pagar o valor completo das ações, dada a visibilidade limitada dos ganhos no longo prazo”, justifica a equipe do Credit Suisse.

Upside limitado

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Tendo em mente o fechamento do último pregão, quando o Ibovespa marcava 51.463 pontos, o potencial de valorização em relação ao preço-alvo estabelecido pelo banco para o final do ano é limitado – atualmente em 6,9%.

“Na nossa visão, o upside limitado do mercado sustenta a nossa percepção de que as bolsas brasileiras subiram muito e muito rápido, à frente dos fundamentos. Nós não estamos dizendo que o Brasil não pode subir mais tarde, mas apenas que nós acreditamos que o mercado primeiro precisará solidificar uma perspectiva de bons ganhos para 2010”, argumenta o banco.

Os analistas do Credit Suisse citam diversos indicadores brasileiros que mostram que a recuperação da atividade econômica brasileira ainda é modesta. A produção industrial, por exemplo, embora tenha aumentado 0,7% na passagem entre fevereiro e março, caiu 10% na base anual. Já as vendas ao varejo, apesar de continuarem crescendo, mostraram desaceleração significativa e o mercado de trabalho continua deteriorando.

“Ao mesmo tempo, enquanto o Banco Central continua a sinalizar uma tendência de longo prazo de redução da taxa básica de juro no Brasil, ele pode reduzir o ritmo de cortes no futuro”, afirmam os analistas, acrescentando que as “indicações de que as agências de crédito podem revisar a perspectiva para o rating soberano do Brasil também podem criar obstáculos ao mercado no curto prazo”.

Análise setorial

Considerando os valuations relativos, a recente boa performance dos setores cíclicos e a expectativa por uma recuperação em forma de W, os analistas do Credit Suisse preferem setores defensivos, ligados ao mercado doméstico, em detrimento das empresas ligadas a commodities e demais segmentos cíclicos.

Dessa forma, o banco tem recomendação overweight (acima da média) a bancos, imobiliárias, energia e saneamento, bens de consumo, telefonia móvel, mídia, petroquímicas, saúde e educação. A recomendação de marketweight (em linha com a média) fica com mineração, telefonia fixa e transporte rodoviário. Por fim, o banco recomenda underweight (abaixo da média) aos setores de petróleo e gás, siderurgia, papel e celulose, logística, aviação e companhias aéreas e agricultura. Confira os detalhes de cada setor:

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Bancos – a visão otimista se deve tanto à resiliência dos ganhos no primeiro trimestre deste ano quanto às projeções de resultados sólidos nos próximos períodos. A top pick deste setor é o Itaú Unibanco, enquanto Bradesco e Banco do Brasil têm recomendação neutra.

Imobiliário – o Credit Suisse ressalta o otimismo em relação aos players focados na baixa renda, especialmente devido ao plano de habitação do governo, listando MRV e PDG Realty como top picks do setor.

Energia e Saneamento – a redução do custo de capital elevou os preços-alvos do setor em uma média de 10%, conforme explicado pelos analistas. As ações preferidas do banco são: Eletropaulo, Copel, Cesp e MPX Energia.

Bens de Consumo – como há uma visibilidade limitada em relação às melhoras da economia brasileira em 2010, o banco recomenda uma estratégia seletiva. “Nossas top picks são Lojas Renner e Perdigão, embora também gostemos de AmBev e Pão de Açúcar”, afirma o Credit Suisse.

Telecom e Mídia – o setor tem sido resiliente na visão do banco, especialmente se considerados os segmentos de banda larga e TV paga. Assim, a Vivo é a top pick dos analistas, que mantém a visão positiva também em relação a NET e GVT.

Petroquímicas – a preferência do Credit Suisse neste setor recai sobre a Ultrapar, que é a top pick do setor.

Saúde – destacando a característica defensiva do setor por ser considerado como necessidade básica da população, os analistas listam a Amil e a OdontoPrev como top picks , enquanto mantêm a visão positiva em relação também a Dasa e Medial.

Educação – apesar dos riscos do setor, o Credit Suisse tem uma visão otimista em relação à Anhanguera Educacional – top pick – e à Estácio Participações. Em sentido oposto, o banco mantém a visão negativa em relação à Kroton.

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Mineração – “dentro do setor de mineração, nós preferimos a resiliência do minério de ferro do que a incerteza do setor de siderurgia”, informam os analistas.

Concessionárias Rodoviárias – de acordo com a instituição, a CCR é a melhor posicionada no setor, enquanto a OHL merece uma visão mais cautelosa.

Petróleo e Gás – embora a recomendação ao setor seja underweight, o Credit Suisse coloca a OGX Petróleo como top pick do setor. A Petrobras, entretanto, está supervalorizada, conforme a equipe de análise da instituição.

Siderurgia – também mantendo uma visão negativa sobre o setor, o banco afirma que a Usiminas seria o melhor nome para investir na recuperação da demanda por aço no Brasil, devido ao seu desconto em relação aos pares domésticos.

Papel e Celulose – a preferência do Credit Suisse no setor recai sobre a Suzano, enquanto a VCP foi rebaixada para underperform no início de maio.

Logística – “a Santos Brasil (top pick dentre as small caps) continua sendo um dos ativos mais atrativos de logística no Brasil”, afirmam os analistas, acrescentando que também possuem uma visão positiva em relação à LLX.

Aviação e Companhias Aéreas – sobre o setor, o Credit Suisse ressalta a visibilidade limitada em relação à recuperação da economia. Ademais, a expectativa de demanda fraca somada à alta do petróleo traça um cenário desfavorável às empresas, levando os analistas a estabelecerem recomendação neutra para GOL e TAM.

Agricultura – embora o cenário para o setor tenha melhorado desde a piora da crise em outubro do ano passado, os analistas mantêm a recomendação neutra para São Martinho.

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