Radar de recomendações

Credit eleva recomendação de ação que subiu 95% em 2019; Goldman rebaixa Cielo para venda

Enquanto isso, Itaú e Bradesco tiveram a recomendação reduzida pelo Bank of America

(Shutterstock)
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SÃO PAULO – As recomendações ganham destaque na sessão desta segunda-feira (20), com RD (RADL3) sendo elevada pelo Credit Suisse após registrar uma das maiores altas do Ibovespa em 2019, enquanto Cielo (CIEL3) e bancos como Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) tiveram a recomendação reduzida, em meio a um 2020 ruim. Confira os destaques de recomendações:

RD (RADL3): rivais ficando para trás?

As ações da RD, que vêm renovando constantemente as máximas históricas após a forte alta de mais de 95% em 2019, tiveram a sua recomendação elevada pelo Credit Suisse nesta segunda-feira.

Victor Saragiotto e Pedro Pinto, analistas do Credit Suisse, revisitaram as premissas para a RD e elevaram a recomendação de underperform (desempenho abaixo da média do mercado) para neutra, com preço-alvo de R$ 125 por ação. Contudo, o valuation ainda esticado os previne de ter uma recomendação mais altista.

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Para os analistas, o ambiente competitivo da RD tem melhorado e começa a abrir espaço para um aumento relevante de lojas para os próximos trimestres. Além disso, um dos grandes temores para a companhia, que era a maior concorrência, começa a ser dissipado.

Isso porque, aponta o Credit, alguns dos competidores mais relevantes começam a enfrentar uma situação de balanço mais apertada, especialmente no Nordeste e no Sul, que correspondem a 19% e 16%, respectivamente, do mercado de farmácias no Brasil.

“A RD tem uma participação de mercado abaixo da média nestas regiões, de 8,3% e 7,9% respectivamente (versus 25,7% em São Paulo), e tudo indica que a empresa deve ter uma avenida interessante de crescimento nestes mercados”, afirmam Saragiotto e Pinto.

A estimativa é de um avanço de 18% na receita em 2020, enquanto o lucro bruto deve se manter e a margem Ebitda (Ebitda/receita líquida), subir 20 pontos-base, para 7,6%. Há ainda perspectiva de um lucro líquido de R$ 744 milhões, número 6% acima do consenso, assinalam os analistas do banco suíço.

Os analistas destacam ainda que a estratégia de longo prazo da RD tem bastante fundamento no digital, com duas mil lojas espalhadas por 350 cidades, com a companhia bem posicionada para capturar os benefícios da multicanalidade.

Saragiotto e Pinto apontam ainda a vantagem competitiva muito importante quando se fala de tempo de delivery, com aproximadamente 54% de todas as encomendas já são entregues em menos de 24 horas. Já o click&collect (com pontos de retirada nas lojas) está presente em 100% das lojas.

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Ao fazer uma análise da situação de alavancagem dos competidores, como Pague Menos, Nissei, Profarma e Extrafarma, os analistas concluem que a maioria tem alta alavancagem ou margens muito baixas (sendo que alguns estão incluídos nos dois pontos). A Farmácia São João, que é o quarto maior player do Brasil, está passando por um processo de racionalizar a base, e saiu de 715 lojas, em 2018, para 690, em 2019.

Por outro lado, o valuation aparece como o grande motivo de visão menos altista: o papel negocia a 51 vezes o preço sobre o lucro, cerca de 47% acima do nível histórico.

Cielo (CIEL3)

Uma das ações com pior performance em 2019 no Ibovespa, ao fechar em leve queda de 0,59% em um ano em que o índice avançou 31,58%, Cielo teve a recomendação reduzida pelo Goldman Sachs.

Tito Labarta, Jonathan Schajnovetz e Ashok Sivamohan apontam que não estão vendo alívio para a maior empresa de pagamentos do Brasil, reduzindo a recomendação de neutra para venda, em meio à expectativa de que a guerra de preços no setor deve continuar a prejudicar os resultados da empresa.

Neste ano, os papéis já acumulam baixa de cerca de 14%, em um cenário em que a empresa segue com a estratégia de cortar preços e sacrificar lucros no curto prazo para defender a sua participação de mercado.

“A competição entre as maiores adquirentes deve permanecer intensa, o que poderia afetar ainda mais a Cielo”, destacam os analistas do banco, que possuem preço-alvo de R$ 6 para os ativos, o que corresponde a uma queda de 17% frente o fechamento de sexta-feira (17).

Enquanto o Goldman estima que a penetração de cartões no Brasil deva subir de 36% em 2019 para 40% neste ano, o banco projeta que o lucro por ação da Cielo apresente contração de 15%. Enquanto isso, PagSeguro e Stone devem registrar crescimento de 23% e 44%, respectivamente.

Vale destacar que o Bradesco BBI já havia reduzido a recomendação para os ativos no dia 9 de janeiro para underperform, afirmando que os resultados devem se deteriorar antes que as iniciativas estratégicas da empresa comecem a render frutos.

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Victor Schabbel, analista do BBI, vislumbra uma nova onda de revisões para baixo nos resultados, o que pode mudar a visão do mercado e consequentemente derrubar o papel ainda mais. O BBI baixou a expectativa de lucro líquido em 6%, para 2020, e em 1%, para 2021, para R$ 1,02 milhão e R$ 1,13 milhão, respectivamente. As estimativas consensuais das casas que analisam o papel são 50% e 51% acima disso.

O relatório do BBI argumenta que uma esperada renegociação de incentivos pagos hoje aos bancos parceiros não deve melhorar as margens, já que os ganhos devem ser transformados em incentivos a varejistas (uma das ferramentas na busca por retomar a participação no mercado).

Outro ponto de atenção é a dependência mais acentuada do Cateno, empresa de cartões formada em sociedade com o Banco do Brasil. Em 2018, 20% da receita ajustada da Cielo veio dessa vertical, número que o BBI vê subindo para 34%, em 2019, e 55%, em 2020.

Já entre os analistas que mantêm neutralidade para os ativos, o argumento mais forte é que nada de muito estrutural mudou no case da companhia nos últimos meses: a concorrência já existe há alguns anos (e está sendo endereçada) e o mercado já teria precificado as ameaças que representam as potenciais novas regras de antecipação de recebíveis e de pagamento instantâneo.

Bradesco (BBDC4) e Itaú Unibanco (ITUB4): cenário desafiador

O Bank of America reduziu a recomendação para o Itaú Unibanco para underperform e a do Bradesco para equivalente a neutro. Vale destacar que os papéis já não vêm registrando um bom desempenho em 2020: os ativos BBDC4 caem 3,62%, enquanto ITUB4 tem baixa de 7% (veja mais clicando aqui).

O BofA destacou estar cauteloso com os grandes bancos após analisar o setor ao longo de um ano. “Enquanto a recuperação econômica está ganhando força e carteira de crédito continua crescendo a dois dígitos, esperamos que o setor cresça um dígito baixo em 2020, ante um crescimento de 20% em 2019”, apontam Mario Pierry, Giovanna Rosa e Ernesto Gabilondo, analistas do banco.

Os analistas apontam, entre as razões para a mudança, a elevação de 5% da alíquota de contribuição social sobre lucro líquido (CSLL) – que deve reduzir os lucros em 300 pontos base –, além da queda da receita de juros com a decisão de limitar taxas do cheque especial, o que deve resultar em uma queda de outros 300 pontos base.

Outras recomendações

Também em destaque, na última sexta-feira, o Morgan Stanley iniciou a cobertura das ações do Burger King Brasil (BKBR3) com recomendação underweight (desempenho abaixo da média).

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Javier Martinez de Olcoz Cerdan e Roberto Browne, analistas do banco, destacam que o Burger King Brasil tem uma história atrativa de crescimento, com forte execução e foco na lucratividade.

“Contudo, esperamos que o papel continue com desempenho abaixo da média em 2020, por causa da crescente competição e custos maiores de produção”, avaliam os analistas.  O cenário, contudo, é de expansão de 12% nas vendas no conceito mesmas lojas entre 2019 e 2022.

Já o Bradesco BBI reafirmou a recomendação outperform (desempenho acima da média), com preço-alvo de R$ 47 para as ações da BRF (BRFS3). Na semana passada, a companhia teve encontro com Lorival Luz Jr., CEO da companhia, e apontaram cinco destaques principais.

Em primeiro lugar, a companhia pode enfrentar um custo menor que o esperado para grãos em 2020, o que reduz a preocupação dos investidores; em segundo, a estratégia em buscar um equilíbrio entre preço e volume faz sentido. O terceiro ponto é que a desalavancagem está no caminho certo, apesar de a empresa continuar a monitorar as oportunidades internacionais de expansão; o quarto lugar fica com a reabertura do mercado europeu para o frango da companhia, que parece mais provável em 2021, mas que tem isso como cenário-base.

Por fim, os analistas enxergam como positiva a compensação da gestão regional alinhada com a rentabilidade da companhia, o que reforça a visão de que os investimentos anunciados em regiões como do halal podem agregar na receita da companhia, que eles veem a um patamar atrativo.

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