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SÃO PAULO – O ouro bateu nesta segunda-feira (20) seu menor patamar em cinco anos, caindo mais de 4% nesta sessão em meio a uma agressiva venda na China, enquanto o dólar index, que mede a variação do dólar contra uma cesta de moedas, seguiu firme, apontando para as máximas em quatro meses diante de expectativas de que o Federal Reserve inicie a alta da taxa de juros nos Estados Unidos.
O movimento levou o metal precioso ao redor dos menores preços desde março de 2010, a US$ 1.104,80 a onça, ou 2,4% abaixo da cotação do fechamento de sexta-feira passada e 40% inferior ao valor registrado no auge.
O dramático “sell-off” (venda generalizada) do ouro ocorreu em questões de minutos em Shanghai, com o volume negociado passando a mais de 3,3 milhões de contratos, superando de longe o volume médio negociado por dia de 30 mil contratos.
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A razão para essa venda não foi clara, mas operadores comentaram que pode estar associada a expectativa de que o Fed inicie a alta na taxa de juros dos EUA, o que também levou a queda de outras commodities. Analistas observaram também que a China importou um volume recorde de ouro em 2013 que criou uma situação de excesso de oferta, ainda assim o rápido declínio surpreendeu o mercado e resultou em duas paradas separadas nas negociações com os contratos futuros nas bolsas americanas.
“A queda do ouro no mercado internacional segue a desvalorização das commodities, em geral, puxadas pela desaceleração na China”, disse Leandro Ruschel, sócio-fundador da casa de traders Leandro & Stormer, que tem mais de 15 anos de mercado.
Hoje, o índice de commodities da Bloomberg caiu ao menor patamar desde 2002. “Uma amostra que o mercado começou a levar a sério a hipótese de alta dos juros americanos”, escreveu em carta a clientes a casa de research Empiricus. Segundo os analistas, em outros episódios “recentes” de contração monetária dos EUA, o impacto do Fed sobre as commodities foi amenizado pelo vigor do crescimento chinês, mas não podemos mais contar com isso. “Vamos ter que esperar uns anos até que a Índia segure o bastão passado pela China”.
O declínio dos preços das commodities já começam a preocupar economias dependentes da exportação da matéria-prima, como a Austrália, o Canadá e África do Sul. Analistas do Barclays escreveram no começo do mês que o fluxo de dinheiro em fundos relacionados a commodities começou a desacelerar, após um impulso no início do ano. Moedas dos países vistos geralmente como dependentes de exportações de commodities seguiram em queda. O dólar australiano e canadense recuam cerca de 10% ante o dólar esse ano.
Vale mencionar, no entanto, que, apesar da acentuada queda do ouro e preocupações do mercado em relação à derrocada generalizada das commodities, em um cenário de algum choque, como mesmo um “crash” mais agudo na China, o ouro é um dos ativos que pode gerar forte movimentação de alta por ser considerado um investimento “seguro”, mas enquanto estivermos em um cenário de baixa inflação, o ouro deve se manter pressionado para baixo, comentou Ruschel, lembrando que o ouro sempre serviu de reserva de valor especial contra surtos de inflação. Ou seja, essa queda sugere que o mercado está percebendo a chance cada vez maior de entrarmos em um ciclo de baixo crescimento e baixa inflação, ressaltou.