Cosan (CSAN3): após ano para esquecer, 2026 será melhor? Analistas acreditam que sim

Companhia está em um momento estratégico de transformação, com medidas que reduzem riscos históricos de alocação de capital

Felipe Moreira

Ativos mencionados na matéria

Complexo Bolonha é interligado ao Rio Guamá e aos lagos Bolonha e Água Preta
(Foto: Divulgação/Cosanpa)
Complexo Bolonha é interligado ao Rio Guamá e aos lagos Bolonha e Água Preta (Foto: Divulgação/Cosanpa)

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Após um ano de 2025 para esquecer, com queda acumulada de 33,67%, quinta maior queda do Ibovespa, o Bradesco BBI reiterou a recomendação de compra para a Cosan (CSAN3).

Na visão dos analistas, a companhia está em um momento estratégico de transformação, com medidas que reduzem riscos históricos de alocação de capital e pavimentam o caminho para criação de valor no longo prazo.

O preço-alvo, por sua vez, foi revisado para baixo, saindo de R$ 8 para R$ 7, refletindo premissas mais conservadoras para pagamento de dividendos no curto prazo, dado o foco em redução de dívida. A nova meta de preço representa um potencial de valorização de 36% frente a cotação de fechamento de quarta-feira (14) de R$ 5,14.

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Reestruturação da Cosan

Na avaliação do BBI, a simplificação do portfólio e o corte de despesas gerais e administrativas (de R$ 300 a 350 milhões para R$ 150 a 200 milhões nos próximos anos) devem liberar recursos para reforçar a remuneração ao acionista e monetizar créditos tributários.

Além disso, a Compass desponta como o vetor de crescimento mais relevante do grupo, com a Edge posicionada para capturar oportunidades no mercado de gás natural, incluindo soluções off-grid (fora da rede tradicional de distribuição) de GNL (Gás Natural Liquefeito).

Embora a tese seja de duration longa (horizonte de investimento de longo prazo), a queda da curva de juros no Brasil pode acelerar a geração de valor. Após a oferta recente, a alavancagem da holding caiu, oferecendo maior resiliência em um cenário ainda de juros elevados.

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Segundo as estimativas, cada redução de 1 p.p. (ponto percentual) no custo de capital próprio (Ke) adiciona cerca de R$ 1,20 por ação ao preço-alvo, o que representa +13% de potencial de valorização.

Maré virando?

No fim de 2025, o BTG Pactual também retomou cobertura para Cosan com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 10,50.

Para os analistas, após anos de pesados investimentos, a Cosan parece pronta para mudar de marcha e entrar em um novo ciclo de geração de caixa, abrindo espaço para uma renovada criação de valor.

“Apesar da recente pressão sobre o balanço patrimonial, o grupo ainda controla um dos portfólios mais diferenciados do Brasil, com participações em negócios líderes e irreplicáveis. A recente injeção de capital restaurou o equilíbrio na estrutura de capital”, avalia.

Assim, aponta, a Cosan agora tem não apenas patrimônio líquido, mas, mais importante, uma história renovada: uma mudança de uma tese de desalavancagem para ser reconhecida como uma empresa que agrega valor a longo prazo. O BTG estima que a CSAN3 seja negociada com um desconto de 34%.

“Com o tempo, acreditamos que qualquer progresso que reduza a percepção da Cosan como um mero ‘intermediário’ entre os acionistas e os fluxos de caixa das subsidiárias representa um potencial significativo de criação de valor”, aponta.

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Assim, vendo caminhos claros de crescimento à frente, o banco reiterou a classificação de compra para as ações da Cosan, com um novo preço-alvo de R$ 10,50/ação, o que implicaria na ocasião um potencial de retorno de cerca de 100%.