Corte do juro nos EUA veio conforme esperado, sem exageros ao otimismo

Redução de 25 pontos-base já estava precificada; comentários do Fed reduzem a probabilidade de nova flexibilização

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SÃO PAULO – O Federal Reserve anunciou um corte de 25 pontos-base na taxa básica de juro dos EUA, conforme as projeções dominantes no mercado. A decisão garantiu a alta das bolsas e deixou o dólar abaixo de R$ 1,74.

Porém, a euforia desmesurada que acompanhou a reunião de 18 de setembro não se repetiu. Dessa vez, a magnitude da redução já estava largamente precificada. E os comentários do BC dos EUA não foram tão animadores aos que esperavam flexibilização prolongada.

Sem exagero

Antes do ajuste na Fed Funds Rate, os títulos do Tesouro norte-americano operavam com rendimentos comprimidos, ilustrando nitidamente a aposta no corte de 25 pontos-base. Depois de explicitada a opinião do Fed, os yields subiram, sem surpresas.

Na renda variável, a resposta foi positiva, mas incomparável ao verificado no pregão de 18 de setembro. Como exemplo, o Ibovespa fechou esta quarta-feira com valorização de 1,45%. Na base de comparação, a alta havia sido impressionante, de 4,28%.

Além da precificação adiantada, os mercados contiveram-se graças a certa preocupação frente ao futuro da política monetária norte-americana. Existem bons argumentos para encarar o 4,50% ao ano como uma taxa de equilíbrio em curto prazo.

As ressalvas

Nem todos os membros do Federal Open Market Committee concordaram com a flexibilização monetária. O presidente do Fed do Kansas, Thomas Hoenig, votou em favor da manutenção do juro em 4,75% ao ano.

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Hoenig provavelmente chamou atenção para a relativa melhora nos indicadores econômicos, que continuam apontando crescimento moderado nos EUA. Em complemento, preocupações inflacionárias começam a ser avaliadas mais a sério.

Segundo o Fed, “recentes aumentos nos preços da energia e das commodities elevaram as pressões sobre a inflação”. O barril de petróleo negocia cada vez mais próximo dos US$ 100 e os metais sobem continuamente, estimulados pela demanda chinesa.

Já é o bastante?

Inês Filipa Marques Pereira, analista da corretora Arkhe, não vê a reunião de outubro como um ponto final para os cortes. “A decisão de dezembro ainda está aberta, com o Fed monitorando os indicadores econômicos e a liquidez dos mercados”.

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Já a equipe da LCA Consultores avalia que o BC dos EUA só ajustará novamente o juro se o panorama econômico confirmar a tendência de deterioração. A consultoria afirmou que sua curva projetada para a Fed Funds Rate contemplava outra redução de 25 pontos em janeiro de 2008. Mas agora está sendo reavaliada.

A principal novidade dada pelo Fed partiu da comparação entre os riscos de inflação e os riscos ao crescimento. Enquanto comentários anteriores colocavam o zelo à atividade econômica em posto prioritário, a declaração de quarta-feira equiparou as ameaças.