Corte de impostos não é suficiente para criar emprego nos EUA, diz Pimco

Política deve ser acompanhada por maior competitividade da economia norte-americana e capacidade em lidar com dívida pública

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SÃO PAULO – De acordo com Mohamed A. El-Erian, CEO (Chief Executive Officer) da gestora de recursos Pimco, os estímulos fiscais discutidos nos EUA são importantes, mas não suficientes – o próprio presidente Barack Obama reconheceu, na ocasião de seu pronunciamento que a proposta não é “perfeita” – para combater um grande problema da economia norte-americana: o desemprego.

A intenção do acordo é extender o corte de impostos implantados na era Bush por mais dois anos, bem como o seguro desemprego e a redução em dois pontos percentuais de impostos sobre salários por um ano.

Para o CEO da Pimco, se for aprovado pelo Congresso, o acordo preliminar proposto por Obama será “importante” porque mostra que a questão do desemprego nos EUA chegou às pautas de agenda do Legislativo, coloca pressão sobre o Fed, que até o momento, apesar das políticas executadas, não obteve êxito em reduzir a taxa para níveis abaixo de 10% e, por fim, é um sinal de que o compromisso político pode ser meta até mesmo em uma cidade marcada pela polarização e fragmentação excessiva. Ainda assim, a questão, para ser solucionada, precisa levar em consideração outros aspectos.

Imperfeições na política
“O pacote é produto de um compromisso político que está longe de ser perfeito”, avaliou El-Erian. Segundo ele, o acordo não é eficiente e traz poucos resultados para combater a desigualdade de renda nos EUA. O insucesso da política é eminente se não for acompanhada por mais duas medidas essenciais. 

O governo deverá explicar como a deterioração adicional, a curto prazo, no déficit do orçamento poderá dar lugar à política de responsabilidade fiscal no médio prazo. Além disso, é necessário um impulso mais significativo para melhorar a competitividade da economia norte-americana no longo, que está comprometida, em decorrência de um atraso em melhorias de infra-estrutura e educação, bem como a atribuição incorreta de recursos.

O anúncio de Obama também traz à tona outra questão: as tensões politicas enfrentadas pelo país. O compromisso de redução de impostos poderá “decepcionar” os partidários de Obama, que apoiaram a promessa do presidente, durante a sua campanha eleitoral, de se recusar a estender os cortes de impostos para a nação de alta renda. Os democratas não ficaram satisfeitos com o acordo proposto.

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Dívida Pública: um problema para os EUA
Ainda de acordo com El-Erian, os Estados Unidos deverão retomar o crescimento no curto prazo, porém a um custo de gestão econômica em outros mercados mundiais e, ao longo do tempo, o grande desafio do país será lidar com a”grande e crescente” dívida pública.

A reação dos mercados é imediata: há um rali em recursos e ativos de risco, que fracassou na última quarta-feira (8) ao final das negociações nos EUA. Além disso, o preço das commodities e as moedas dos países emergentes estão fortalecidos, consequentemente, os bonds do Tesouro foram vendidos bruscamente, dadas as preocupações fiscais crescentes, sobretudo no médio prazo.

Por fim, a análise do CEO é de que as reações do mercado podem servir de alerta para a gestão de Obama de que o anúncio de um possível acordo é apenas o início da questão. Certamente isso não bastará para acalmar os ânimos do mercado e para resolver o problema da criação de empregos na economia norte-americana. Mais estudos e mais esforços serão necessários para que o país consiga resolver um grande problema, que é econômico e social: as taxas persistentemente elevadas de sub-emprego e desemprego.