Corrida por metais na China faz cobre romper US$ 14 mil por tonelada

Fundos chineses aceleram a alta dos metais em meio a dólar fraco, apostas em cortes de juros nos EUA e corrida por ativos ligados a IA, chips e transição energética

Bloomberg

Bobinas de fio de cobre em uma fábrica em Santa Teresa, Novo México (Krisztian Bocsi/Bloomberg)
Bobinas de fio de cobre em uma fábrica em Santa Teresa, Novo México (Krisztian Bocsi/Bloomberg)

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O cobre disparou como nunca em mais de 16 anos, enquanto os metais prolongam um início de ano dramático, impulsionado por uma onda de intensa negociação especulativa na China.

Investidores chineses estão se amontoando em metais, surfando uma forte onda de momentum que levou tudo, do estanho à prata, a recordes históricos. O rali do cobre ocorreu em um horário do dia em que os traders chineses dominam os fluxos, com os preços na Bolsa de Metais de Londres (LME) subindo mais de 5% em menos de uma hora a partir das 2h30 da manhã, horário de Londres.

“Tudo isso é impulsionado por fundos especulativos”, disse Yan Weijun, chefe de pesquisa em metais não ferrosos da trader chinesa Xiamen C&D Inc. “É provável que seja todo dinheiro chinês, dado que o salto aconteceu no horário da Ásia.”

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Os preços chegaram a subir 10,1%, passando a ser negociados acima de US$ 14.400 por tonelada pela primeira vez na história. O metal industrial, usado em quase todas as aplicações elétricas, já avançou cerca de 25% desde o início de dezembro.

O cobre há muito é um favorito de investidores que veem a transição energética e o crescimento de data centers impulsionando a demanda. Mesmo assim, o recente disparo nos preços veio apesar de sinais de demanda fraca na própria China — que responde por cerca de metade do consumo físico do metal — e de um contango mais aberto na LME, um sinal de oferta abundante.

A febre especulativa provocou uma disparada nos volumes da Bolsa de Futuros de Xangai (SHFE), a principal plataforma de negociação de commodities da China. Janeiro já era, até a semana passada, o mês mais movimentado da história para os seis metais básicos da SHFE, e o cobre registrou na quinta-feira seu segundo maior volume diário de negociações.

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Foram semanas de tirar o fôlego para as commodities, apoiadas por um dólar em queda, maior demanda por ativos físicos reais e tensões geopolíticas elevadas, à medida que o governo Trump adota uma política externa mais assertiva. Mais recentemente, apostas de que o próximo presidente do Federal Reserve será mais “dovish” do que Jerome Powell ajudaram a alimentar o rali.

“As commodities estão se revezando no rali”, disse Eric Liu, vice-gerente geral da ASK Resources Co. “O cobre vinha rondando os US$ 13.000, e os fundos já vinham se preparando para o metal há algum tempo.”

O cobre subia 9,3%, a US$ 14.301,50 por tonelada na LME. Seu movimento intradiário foi o maior desde 2009 — quando a China lançava medidas de estímulo maciço na esteira da grande crise financeira. Os futuros na SHFE chegaram a 112.000 yuans (US$ 16.120) por tonelada quando a bolsa reabriu para o pregão noturno, após uma alta de 5,8%, a 109.110 yuans, no fechamento de quinta-feira. Outros metais também avançaram, com o alumínio subindo 1,8% e o zinco ganhando 5% em Londres.

O presidente do Fed, Jerome Powell, falou em uma “clara melhora” na perspectiva econômica dos EUA, enquanto o banco manteve os custos de empréstimo inalterados na quarta-feira. Seu mandato termina em junho, após o que o presidente Donald Trump pode estar em posição melhor para intensificar sua campanha por juros mais baixos.

“No ciclo em que os EUA mantêm cortes de juros, a expectativa de alta dos preços do cobre não mudou”, disse Chi Kai, diretor de investimentos da Shanghai Cosine Capital Management Partnership. “Quanto ao quão alto os preços podem subir, não há uma expectativa clara enquanto os EUA continuarem impulsionando IA, chips e construção de infraestrutura elétrica.”

Investidores têm migrado em particular para metais necessários em grandes mercados de crescimento. O plano da Tesla Inc. de gastar US$ 20 bilhões neste ano em robótica e IA reforçou as perspectivas de investimento. Cobre, alumínio e estanho estão entre os beneficiados.

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Mas o rali tem sido amplo, com os futuros de minério de ferro em Cingapura subindo até 2,5%.

O avanço dos metais ocorreu depois que um índice da moeda dos EUA caiu para o menor nível em mais de quatro anos, com Trump sinalizando que não está preocupado com a fraqueza. Essa desvalorização torna as commodities mais atraentes para muitos compradores.

Há muitas vozes alertando que os ganhos espetaculares dos metais correram à frente da demanda da economia real. É provável que haja um “ajuste técnico” à medida que compradores físicos na China recuem diante de preços mais altos, disse Trina Chen, co-head de ações da China no Goldman Sachs Group Inc., à Bloomberg TV na quarta-feira.

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