Corretora traça três cenários para o desfecho da disputa entre PT e Telefónica

Para analistas, o mais indicado seria a PT vender parte de sua fatia na Vivo para a Telefónica e não desagradar governo

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SÃO PAULO – A equipe de research do Itaú Securities avalia três possíveis desfechos para a novela Portugal Telecom-Telefónica-Vivo. De acordo com relatório dos analistas Carlos Constantini, Susana Salaru e Martín Lara, o drama está longe de acabar.

“Apesar da Corte de Justiça da Europa dar um parecer contra o uso de golden shares [que dão direito de veto] pelo governo português para barrar a proposta da Telefónica (TLPP4) pelos ativos da Vivo (VIVO4) em posse da Portugal Telecom, acreditamos que a história está longe de seu fim, com Portugal podendo reter a implantação da decisão”, fala o time.

Os analistas traçam, assim, um primeiro cenário que tem como base a fusão dos ativos brasileiros da PT com a Telefónica. Neste quadro, a primeira ficaria com 33% da empresa formada por Telesp e Vivo, enquanto a segunda teria o controle, com 67% de participação.

Segundo
Já um segundo cenário possível é a venda das ações da Vivo pela PT para a Telefónica. “Considerando a alavancagem relativamente alta da PT e as pressões visíveis para os acionistas aceitarem a proposta da Telefónica, acreditamos que uma alternativa seria a PT aceitar a venda de uma fração de seus ativos na Vivo, talvez 1/3 da posição total, garantindo o controle da Telefónica”, explicam.

Neste caso, ao analistas avaliam que o governo português sairia contente porque a empresa manteria sua exposição ao mercado brasileiro, assim como os acionistas minoritários da PT que poderiam fazer parte do valor implicado na proposta da Telefónica.

“Como no primeiro cenário, esta estratégia faz a Talefónica a acionista controladora da Vivo e Telesp no Brasil, mas a PT poderia manter alguns privilégios de votos dependendo do acordo com os acionistas”, falam.

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Eles também consideram que ter a PT como acionista minoritário no grupo de controle mitiga o risco de conflito de interesses e poderia se transformar em notícias positivas para as ações VIVO4.

Terceiro
No terceiro e último cenário traçado pela equipe do Itaú, o problema seria resolvido se simplesmente a Telefónica fizesse novamente a proposta à PT, já que grande parte dos acionistas da portuguesa (74%) já aceitaram-na. Isso poderia acelerar a aprovação, segundo a equipe.

“Contudo, uma decisão favorável pelo Conselho de Administração confrontaria diretamente a posição do governo português e nem a Telefónica nem os membros do conselho estariam dispostos a assumir esse risco”, adicionam.

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Recomendação
Levando tudo em consideração, os analistas recomendam outperform (desempenho acima da média) para VIVO4 e preço-alvo de R$ 64,60 para o final do ano.