Corretora recomenda ficar vendido em petróleo e comprado em açúcar

Previsões de alta do real frente ao dólar sustentam visão otimista sobre setor sucroalcooleiro; para petróleo, cenário não é tão bom

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SÃO PAULO – Levando em consideração os cenários prospectivos para os setores de petróleo e açúcar, os analistas da Itaú Corretora publicaram um relatório recomendando a adoção de uma estratégia de long & short, com posição vendida em petróleo e comprada no setor sucroalcooleiro.

Motivos? Principalmente devido às perspectivas para o câmbio no Brasil, além, é claro, das previsões em relação à oferta e demanda. Recentemente, os analistas da corretora anunciaram a projeção de que o dólar continuaria a se desvalorizar frente ao real, terminando 2009 em R$ 1,80 e 2010 ainda mais baixo, em R$ 1,70.

Os prós do açúcar…

Embora isso não tenha um grande impacto nas negociações do petróleo, para o setor de açúcar, a questão é outra: “O Brasil é um formador de preço desta commodity enquanto produtor marginal dominante e virtualmente o único que tem a habilidade de aumentar a produção rapidamente e em grande escala”, explicam os analistas da Itaú Corretora.

Conforme a análise da instituição, um real mais forte indica também que os preços de exportação do açúcar em dólares terão que aumentar. Embora esse movimento tenha um lado negativo, ele deve ser ofuscado pelo enfraquecimento da moeda norte-americana frente às demais divisas internacionais, de forma que a demanda não deve ser afetada pela alta do preço em dólar.

Além disso, há também os fundamentos de oferta e demanda, que indicam um cenário positivo para os preços. “A proporção entre estoque e consumo de açúcar provavelmente permanecerá em níveis extremamente baixos pelos próximos dois anos, apoiados por dois anos consecutivos de déficit de oferta-demanda.

Por fim, a equipe de análise da Itaú Corretora afirma que suas perspectivas otimistas se baseiam, ainda, no fato de que os preços são sazonalmente mais fortes na segunda metade do ano.

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… e os contras do petróleo

Se as perspectivas são positivas para o açúcar, no caso do petróleo quem ganha é o pessimismo. De acordo com a instituição, o recente rali no preço da commodity parece ter sido sustentado no enfraquecimento do dólar diante das principais dividas internacionais, somado a um temor acerca do risco inflacionário, que aumentou a atratividade das commodities como forma de refúgio.

“Nós não conseguimos ver uma equação de oferta-demanda por petróleo que apóie esse rali”, comentam os analistas. Segundo eles, o fortalecimento do preço da gasolina pode ter sido um fator que levou ao rali da commodity, porém ele não deve durar, já que foi levado principalmente pela queda da produção e não pelo aumento da demanda. Ademais, a temporada de maior movimentação de carros está chegando ao fim, reduzindo ainda mais a procura por gasolina.

A Itaú Corretora ressalta que a visão pessimista em relação ao petróleo poderia ser ameaçada pela depreciação do dólar frente a outras moedas e na redução da aversão ao risco, que podem impulsionar os investimentos em commodities.