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SÃO PAULO – O Itaú BBA alterou a sua estratégia no setor de papel e celulose e trocou as recomendações de Suzano (SUZB5) e Klabin (KLBN4). Enquanto a primeira foi elevada para performance acima do mercado, a segundo foi rebaixada para desempenho em linha com a média.
O grande motivo para essa troca de posições foi o desempenho das ações no último ano. Enquanto os papéis da Klabin subiram mais de 40% no período, as da Suzano cederam praticamente 50%. A Fibria (FIBR3), outra participante do setor e cujas ações recuaram 47% no mesmo período, teve sua avaliação mantida em market perform.
A corretora também aparece como mais pessimista do que a média do mercado, consultado pela Bloomberg e Reuters, mostando estimativas menores para as três empresas. No quesito resultado operacional, no entanto, ela tem projeção positiva para a Klabin. Confira as estimativas do Itaú BBA para papel e celulose:
Suzano
| (em R$ milhões) | 2012E – Itaú | 2012E – Mercado | Diferença |
| Receita líquida | 4.931 | 4.971 | -0,8% |
| Ebitda* | 1.315 | 1.327 | -0,9% |
| Lucro líquido | 287 | 109 | – |
Klabin
| (em R$ milhões) | 2012E – Itaú | 2012E – Mercado | Diferença |
| Receita líquida | 4.243 | 4.098 | +3,5% |
| Ebitda* | 1.209 | 1.154 | +4,8% |
| Lucro líquido | 416 | 437 | -4,7% |
Fibria
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| (em R$ milhões) | 2012E – Itaú | 2012E – Mercado | Diferença |
| Receita líquida | 5.617 | 5.889 | -4,6% |
| Ebitda* | 2.011 | 2.189 | -8,1% |
| Lucro líquido | 1.079 | -104 | – |
*geração operacional de caixa
Suzano é preferida
Além dos baixos múltiplos pelos quais são negociados depois da forte queda no ano passado, na expectativa de 6,2x de EV/Ebitda, ou valor de mercado sobre a geração operacional de caixa para 2012, os papéis da Suzano devem ser impulsionados por menos gastos com celulose após a unidade de Mucuri ter sua produção estabilizada.
A alta alavancagem financeira apresentada pela companhia também deve ser reduzida paulatinamente, ainda mais se a tese dos analistas Marcos Assumpção e André Pinheiro de uma venda de ativos não estratégicos realmente se concretizar. Os dois esperam essa alienação já no primeiro semestre, trazendo a relação entre dívida líquda e Ebitda a 5x no fim do ano, ou no início de 2013.
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Por fim, eles ressaltam que há uma grande possibilidade de que ao menos uma participação em negócios relacionados a papel seja também vendida, bem como acreditam em uma oferta de papéis da empresa. Isso ajudaria ainda mais a reduzir o endividamento, que, como fator positivo para a Suzano, tem um cronograma de pagamentos “confortável”.
Klabin e Fibria com menos força
Já a rebaixada Klabin está pagando um prêmio muito grande em relação a seu valuation histórico, de 7,5x em EV/Ebitda. Os ativos estão sendo negociados à proporção de 8,3x na estimativa para 2012. Ainda, a possibilidade de alta no fluxo de caixa descontado está bem menor atualmente, depois do rali vivenciado pelas ações.
Até mesmo a possibilidade de um forte crescimento do Ebitda durante 2012, perto dos 20% para R$ 1,2 bilhões, já estaria precificada nos papéis, segundo o Itaú. A Fibria deve avançar 4% na mesma comparação, e a Suzano, 17%, mas só por conta da aquisição da Conpacel, afirmam os analistas.
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A Fibria, por sua vez, deve sofrer com uma geração limitada de caixa nos próximos três anos, já que a projeção da corretora é de um preço médio de US$ 730 por tonelada no período, e porque seus investimentos para expansões devem ser contidos devido à forte alavancagem. “Não consideramos nenhum crescimento de capex [gastos de capital] no período entre 2012 e 2014”, avaliam.
O nível de endividamento seria de 3,7x entre obrigações e Ebitda no fim de 2012, mas apenas se os dois ativos em posse da empresa, que não fazem parte de seu escopo principal de operação, sejam vendidos, o que levantaria aproximadamente R$ 800 milhões.