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SÃO PAULO – O mercado acionário brasileiro vivencia uma forte correção nas últimas sessões, com desvalorização próxima a 8,5% desde a última quarta-feira (12), tomando como base a cotação de pontos do Ibovespa nesta sessão.
Entre projeções otimistas para a economia brasileira e temores quanto à crise fiscal na Zona do Euro, fica a dúvida: a correção recente possui fundamentos ou é apenas um contágio da insegurança dos investidores?
Em meio ao cenário, BTG Pactual e Citi produziram relatórios sobre o tema, avaliando os porquês das últimas baixas, bem como delineando perspectivas para o que virá à frente nos mercados.
Sem motivos, sem short selling
“Não vemos nenhum motivo para o pânico de venda”, disparam os analistas João Pádua e Daniel Sousa, em referência a correção. Conforme o banco, os investidores permanecem defensivos, à medida que as ordens de stop loss criam pressão para vender. “O volume da última sessão ficou 5% abaixo da tendência, em US$ 3,57 bilhões”, completa o banco.
À procura de motivos, o banco cita a restrição do naked short selling (vendas a descoberto sem confirmação do aluguel) na Alemanha com CDSs (Credit Default Swaps) dos títulos europeus e de dez bancos e seguradoras. “Investidores continuam a evitar ativos de maior risco”, diz o BTG.
Correção de bull market, valuation na Terra
Conforme o olhar do Citi, a recente desvalorização é apenas uma “correção” em meio ao bull market vivido pelos mercados após as mínimas de outubro de 2008. “Esperamos que os mercados emergentes se recuperem”, afirmam os analistas Geoffrey Dennis e Janson Press, que assinam o relatório do Citi.
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A dupla avalia que o pacote da União Europeia e do FMI (Fundo Monetário Internacional) traz calma aos ânimos dos investidores, por afastar o risco de um iminente agravamento da frágil. O Citi mantém recomendação neutra para a América Latina, e avalia que, com os ganhos das companhias recuperando-se com força, os valuations “voltaram a Terra”.
Lucros crescem, ações não valorizam
Mais a fundo nas empresas brasileiras, estudo da consultoria Economática, avalia que o lucro das companhias cresceu 38% no primeiro trimestre deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado.
Segundo os dados da consultoria, as 267 empresas tiveram lucro líquido conjunto de R$ 26,9 bilhões, acima dos R$ 19,3 bilhões vistos em 2009. Mais impressionante ainda é a relação com os três primeiros meses de 2008, quando o total de ganhos foi de R$ 23,4 bilhões.
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Dentre as 30 maiores empresas por receita líquida, somente duas relataram prejuízo no último trimestre: Braskem e TAM, contra cinco no mesmo período do ano passado. A petroquímica ainda sofre para incorporar a endividada Quattor, enquanto a companhia aérea sentiu os efeitos nas despesas financeiras do dólar valorizado.
Apesar do avanço nos lucros, vale ressaltar que o Ibovespa não acompanha tal expansão. O índice paulista marca desvalorização aproximada de 13% desde o início deste ano. No mesmo período do ano passado, o benchmark marcava alta de 27,8%.