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Correção chegou ao fim? Para analistas, Bolsa ainda está “mais cara do que barata”

Analistas apontam que correção do mês passado foi importante e levou o índice a um patamar mais próximo da realidade, mas ainda assim há espaço para queda

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SÃO PAULO -Passado a forte correção de maio, que levou embora a euforia do mercado no mês de abril, o Ibovespa finalmente teria encontrado seu “preço justo” na casa dos 53.000 pontos? Ainda é difícil dizer, mas analistas apontam que o índice estaria mais próximo da realidade, mas não descartam que ainda há espaço para queda. “Ibovespa está um pouco mais caro do que barato”, disse a casa de research Empiricus.

Em relatório de hoje, o Credit Suisse comentou que o Brasil, depois de perder quase 10% (em real) das máximas registradas em maio (perto dos 58.000 pontos), teve seu P/L (Preço sobre Lucro) – indicador que mensura se a Bolsa está cara ou barata e mostra em quantos anos o valor investido será recuperado – de 12 meses retornando ao patamar de 12 vezes (contra 13 vezes, recentemente), mas ainda assim negociado 20% acima da média histórica dos últimos cinco anos, de 10 vezes.

Ou seja, ainda há espaço para correção. O banco suíço comenta que essa percepção está aliada à estimativa para crescimento do lucro líquido por ação das empresas brasileiras em 2016, que ainda se situa em um patamar bastante alto e, caso essa situação não se confirme, a tendência natural é que possa ocorrer uma convergência da Bolsa para a média.

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Após divulgação do PIB (Produto Interno Bruto) do primeiro trimestre do Brasil na última sexta-feira, a equipe econômica do Credit Suisse revisou suas projeções para o País. Segundo o economista-chefe do banco, Nilson Teixeira, não dá para simplesmente descartar uma recessão no ano que vem, apesar de manter sua previsão de expansão de 0,6%. Para este ano, ele revisou a expectativa de contração do PIB para, ao menos, 1,8%. Vale lembrar que na virada de abril para maio o Credit Suisse havia destacado que a Bolsa estava descolada dos seus fundamentos e uma correção poderia ser iniciada em seguida, ressaltando naquela ocasião que estava underweight (exposição abaixo da média) em Brasil. 

Segundo a casa de research Empiricus, em meio a tantos ajustes gradualmente agonizantes, um choque de reprecificação não seria tão mau. “Dependerá fundamentalmente do câmbio, que não tem dó de ninguém”, disse.

Na sexta-feira, em entrevista ao InfoMoney, o analista-chefe Luis Gustavo Pereira, da Guide Investimentos, comentou que a Bolsa estaria bem próxima do seu preço justo. “Nosso modelo aponta que o preço justo do Ibovespa é no patamar de 55.400 pontos e a Bolsa está bem perto disso”, frisou, lembrando ainda que deve-se considerar nessa conta o fator negativo do cenário econômico, que não está dos melhores, em meio a um ciclo de alta de juros, que ainda deve perdurar por um tempo. 

Segundo ele, em maio o mercado estava caro e essa correção foi importante, mas que não acredita que o mercado esteja olhando a Bolsa como “barata” até porque as perspectivas para o lucro das empresas não são animadoras. “Estamos neutros”, comentou.