Hackers norte-coreanos

Coreia do Norte financia programa nuclear e de mísseis balísticos com criptomoedas, afirma estudo da ONU

Governo norte-coreano patrocinou ataques a pelo menos três corretoras de criptomoedas nos últimos dois anos, aponta relatório

Por  Paulo Alves

O programa nuclear e de mísseis balísticos da Coreia do Norte é financiado com criptomoedas roubadas em ataques hackers financiados pelo governo, revela um novo relatório divulgado pelas Organização das Nações Unidas (ONU) e entregue ao comitê de sanções da ONU na sexta-feira (4).

Segundo a Reuters, que teve acesso ao documento sigiloso, ataques cibernéticos patrocinados por Pyongyang resultaram no desvio de US$ 50 milhões em ativos digitais apenas em 20202 e 2021. A ONU destaca que as criptos são decisivas  e “importante fonte de receitas” para o programa nuclear e de mísseis balísticos do país.

As criptomoedas são conhecidas pela transparência de dados em blockchain, um sistema de contabilidade público e imutável que mostra o histórico de transferências dos criptoativos. Por outro lado, o sistema não revela a identidade das pessoas envolvidas nem depende de intermediação do sistema bancário, tornando-se ideal para driblar o controle de autoridades.

Os valores teriam sido interceptados em ataques a pelo menos três bolsas de criptoativos localizadas na América do Norte, na Europa e na Ásia. Os nomes das empresas envolvidas nos ataques não foram revelados.

Segundo o estudo, as ofensivas recorreram a “phishing, explorações de código, malware e engenharia social avançada” para transferir criptomoedas de carteiras de corretoras para endereços controlados pelo governo norte-coreano.

O relatório também citou um levantamento da empresa de segurança cibernética Chainalysis que apontou que a Coreia do Norte teria patrocinado pelo menos sete ataques a plataformas de criptomoedas e obtido US$ 400 milhões em ativos digitais no ano passado. Segundo a ONU, no entanto, sua investigação apontou valores bem menores.

A Coreia do Norte não visa apenas criptomoedas nos ataques. Em 2019, as Nações Unidas alertaram que o país havia levantado US$ 2 bilhões para seu programa nuclear e de mísseis balísticos com ciberataques sofisticados tendo também como alvo instituições financeiras em geral.

De acordo com o documento, a Coreia do Norte realizou nove lançamentos de mísseis balísticos em janeiro, o maior número em um único mês na história dos programas de armas de destruição em massa e mísseis do país.

“A Coreia do Norte demonstrou maior capacidade de implantação rápida, ampla mobilidade (inclusive no mar) e maior resiliência de suas forças de mísseis”, disse o texto.

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