Copom: unanimidade do colegiado surpreende e abre espaço para novas projeções

Curva de juros futuros na BM&F mostra que o mercado já começa a reavaliar as estimativas anteriores à ultima decisão

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SÃO PAULO – Como amplamente esperado pelo mercado financeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual na última quarta-feira (5).

A decisão, contudo, não foi recebida com indiferença pelo mercado, fenômeno incomum para um anúncio em linha com a expectativa. A novidade foi que, desta vez, o Comitê votou com unanimidade.

Na última reunião encerrada em 18 de julho, por exemplo, o placar ficou em 4 votos a favor de um corte de 0,5 ponto percentual, e 3 pela redução de 0,25 ponto percentual, uma diferença apertada.

Unanimidade inesperada

“O mercado inteiro, exceto alguns analistas, não esperava uma decisão unânime. O mais otimista esperava um placar de 5 a 2”, avalia o economista-chefe da Infinity Asset, André Ng. A decisão afinada dos diretores do BC foi lida como menos cautelosa do que se previa.

“(…) o fato de não ter havido nenhum voto em favor da imediata interrupção do corte surpreendeu boa parcela dos analistas”, revela a LCA Consultores em relatório. A própria consultoria afirma que foi pega de surpresa pela decisão.

“A curva de DI mostrava que este seria o último corte. Com a decisão unânime e com o comunicado teoricamente bom, abre uma possibilidade para a próxima reunião também mostrar um corte de 0,25 ponto percentual”, completa Ng. Nesta quinta-feira, as taxas dos contratos de DI futuro operam em queda na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F).

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Inflação

Segundo os analistas, a unanimidade do comitê sinalizou uma perspectiva com a inflação um pouco menos enfática do que se previa, o que pode contribuir para um deslocamento para baixo das expectativas quanto ao nível da Selic até o final deste ano.

O patamar elevado dos últimos índices de preços havia elevado o coro daqueles que apostavam numa medida mais cautelosa do BC. Além disso, a taxa de câmbio, apontada em reuniões anteriores como ponto favorável ao controle dos preços, mostrou instabilidade no último mês.

Em agosto, o IPCA – 15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15) registrou aumento de 0,42%, acima do registrado em julho. O IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) apontou inflação de 1,39%, 1,02 ponto percentual acima da alta apurada no mês anterior.

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Daqui para frente

Todos os analistas consultados pela InfoMoney confirmam que o debate sobre os próximos passos da autoridade monetária deve esquentar. Os índices de preços e o cenário externo devem ser acompanhados de perto.

“Até outubro, caso o cenário externo comece a melhorar, e os indicadores de preços e de atividade econômica internos vierem em linha, é bem provável que o BC mantenha o corte de 0,25 ponto percentual até o final do ano”, aposta André Ng, da Infinity.

Segundo a LCA Consultores, uma avaliação mais fundada da preocupação do Copom sobre os recentes movimento de aceleração dos índices de preços fica na dependência da publicação da ata da reunião da última quarta-feira, que será conhecida no dia 13 de setembro.