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SÃO PAULO – O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central surpreendeu as expectativas do mercado ao elevar em 0,5 ponto percentual a taxa de juros básica da economia brasileira, a Selic, nesta quarta-feira. Desse modo, a taxa Selic foi elevada para 25,5% ao ano, sem adoção de viés, em uma decisão unânime.
Mercado mais otimista após posse de Lula
Por outro lado, com a melhora nos mercados logo após a posse de Lula, em função da reversão das expectativas mais pessimistas de alguns investidores, as expectativas sinalizavam para manutenção da taxa de juros básica da economia, visto que a inflação, apesar de estar dando sinais de desaceleração, ainda mantinha-se elevada.
Além disso, a ampliação da meta de inflação para 8,5% em 2003 anunciada ontem pelo presidente do BC, Henrique Meirelles, sinalizou a possibilidade de uma política monetária mais flexível, o que poderia permitir uma queda nos juros assim que a inflação voltasse a dar sinais de desaceleração.
Cenário externo e inflação pressionam elevação dos juros
A deterioração do cenário doméstico e externo fez com que a curva de juros futuros voltasse a abrir taxas nos últimos dias. Nesse sentido, o aumento das tensões no Oriente Médio, após a descoberta de ogivas químicas no Iraque, e a interrupção da trajetória de desaceleração da inflação, sinalizada tanto pela segunda prévia do IPC (Fipe) e do IGP-M (FGV) praticamente eliminou as perspectivas mais otimistas.
Nesse sentido, o contrato de DI futuro negociado na BM&F com vencimento em fevereiro de 2003 operava há poucos projetando taxa de 25,30% ao ano, sinalizando a falta de consenso no mercado entre a manutenção ou mesmo elevação de 0,25 ponto percentual da taxa Selic.
Parte do mercado defendia aumento dos juros
No entanto, parte do mercado acreditava em uma elevação acima de 25 pontos base da Selic na reunião do Copom deste mês. Nesse sentido, alguns investidores consideram as previsões do Banco Central para meta ajustada de inflação muito otimistas e acreditam que apenas nova elevação da Selic poderia levar a inflação à convergência desejada pela autoridade monetária.
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Finalmente, parte do mercado também justificava elevação da Selic como forma de garantir a recuperação da credibilidade do regime de metas de inflação e para fortalecer a própria reputação do Banco Central.