Copom surpreende e eleva Selic em 50 pontos base, para 16,75% ao ano

Mercado apostava em aumento de 25 pontos base, mas Copom surpreendeu e elevou Selic para 16,75% ao ano

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SÃO PAULO – Contrariando a expectativa do mercado, que acreditava em nova Selic de 16,50%, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) decidiu elevar o juro básico em 50 pontos base nesta quarta-feira, dia 20 de outubro. Desse modo, a taxa de juro passou a ser de 16,75% ao ano.

Um dos elementos que podem ter influenciado o Comitê a tomar essa medida foi a intenção de mostrar independência do Banco Central na condução da política monetária, atento somente aos indicadores conjunturais. Na verdade, uma parcela do mercado acreditava que o aumento poderia ocorrer nessa proporção, mas essa fatia certamente era minoria.

Comportamento do petróleo e impactos na inflação

Alguns índices de preços recentes apontam para uma desaceleração da inflação, enquanto outros mostram que os preços têm subido a uma taxa maior. Isso preocupa o Copom, já que as expectativas de inflação encontram-se incompatíveis com a trajetória esperada para as metas.

A disparada recente do preço do petróleo no mercado internacional tem um impacto forte nessa questão. O barril da commodity era vendido a US$ 32 no início do ano em Nova York, passou para cerca de US$ 44 em agosto e, nesse último mês, chegou a atingir patamares próximos a US$ 55.

O preço do petróleo tem um impacto forte na inflação e no crescimento da economia mundial. Estimula um aumento no preço dos combustíveis, como aquele observado pelo reajuste da Petrobras no último dia 14, quando os valores da gasolina e do diesel estavam bastante defasados em relação aos preços internacionais. Novos reajustes devem ocorrer e não se sabe ainda qual o tamanho do impacto disso na inflação.

EUA também contribuíram para a decisão

Não se pode negar a influência do juro norte-americano na decisão da taxa básica de juro do Brasil. Isso porque os investidores comparam as diferentes remunerações que os títulos dos países oferecem quando vão determinar suas compras.

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No caso de uma elevação dos Fed Funds, juro básico dos EUA, os títulos norte-americanos se tornam mais atrativos ao mercado. Para evitar uma fuga de capitais do Brasil, o país tem que aumentar a atratividade dos títulos daqui, elevando seu juro.

Nesse sentido, os indicadores dos EUA sugerem um crescimento moderado da maior economia do mundo. Isso comporta uma elevação gradual do juro do país, pelo Federal Reserve, banco central local. O Copom observou essa tendência na decisão dessa quarta-feira.