Copom surpreende, diminui ritmo de aperto e eleva Selic em 0,25p.p., para 12% a.a.

Decisão não foi unânime, com 2 votos para +0,5 p.p.; nota fala em ajustes monetários por prazo "suficientemente prolongado"

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SÃO PAULO – A reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) desta quarta-feira (20) terminou com uma alta de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, levando a Selic para 12,00% ao ano, o que de certa forma surpreendeu o mercado. A decisão não foi unânime, com 2 dos 7 membros do comitê defendendo uma elevação da taxa em 0,5 ponto percentual.

Esta é a terceira elevação dentre de um ciclo de aperto monetário que começou em janeiro, quando o Comitê voltou a elevar os juros, após uma interrupção em julho de 2010. Assim, a decisão foi responsável por elevar a taxa de juros no País ao maior patamar desde março de 2009, quando a autoridade monetária baixou os juros em 150 pontos-base, que passaram então para 11,25% ao ano.  

O comunicado oficial

Dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias, o Copom decidiu elevar a taxa Selic para 12,00% a.a., sem viés, por cinco votos a favor e dois votos pelo aumento da taxa Selic em 0,50 p.p.

Considerando o balanço de riscos para a inflação, o ritmo ainda incerto de moderação da atividade doméstica, bem como a complexidade que ora envolve o ambiente internacional, o Comitê entende que, neste momento, a implementação de ajustes das condições monetárias por um período suficientemente prolongado é a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta em 2012. 

BC agiu certo
Para o professor de economia da Trevisan, Alcides Leite, é possível que o mercado não fique satisfeito com a alta de 25 pontos-base, já que a maioria dos agentes estava aguardando um aperto mais contundente, de 50 pontos-base. O professor também explica que, embora o sentimento nesse momento seja de complacência com a inflação, na verdade o Banco Central agiu da maneira correta.

Leite afirma que o cenário internacional mudou, agora há uma grande expectativa de alta dos juros nos EUA, na Europa e na China, o que permitirá ao BC ter um controle melhor da inflação, fazendo-a voltar para o centro da meta. “Avaliando o contexto, no geral o Governo agiu certo”, explica.

Além disso, o professor aposta em um efeito mais visível das medidas macroprudenciais anunciadas anteriormente e não descarta a possibilidade de que novas medidas sejam implementadas. “Acho que a alta dos juros deve parar por aqui, com o BC avaliando novos instrumentos para conter a demanda”, conclui.

Expectativas divididas
A maioria das apostas estava nos 50 pontos-base, conforme o próprio relatório Focus apresentou na última segunda-feira. Os analistas afirmaram que o quadro inflacionário continua preocupante no Brasil e, portanto, a estratégia mais coerente nesse momento seria a de uma elevação mais forte na taxa Selic. Entretanto, a possibilidade de uma alta mais amena da taxa básica de juro não era descartada, e ganhou espaço nos últimos dias.