Copom surpreende com corte de 100 pontos-base na Selic, para 12,75% ao ano

Decisão por 5 votos contra 3 marca a primeira redução no juro básico brasileiro desde setembro de 2007

Publicidade

SÃO PAULO – Demonstrando uma postura agressiva, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) optou na noite desta quarta-feira (21) por um corte de 1,00 ponto percentual na taxa Selic, deixando-a no patamar de 12,75% ao ano. Foi a primeira redução no juro básico brasileiro desde setembro de 2007, sendo que um corte de tal magnitude não era visto desde abril de 2006.

“Avaliando as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu, neste momento, reduzir a taxa Selic para 12,75% a.a., sem viés […]. Com isso, o Comitê inicia um processo de flexibilização da política monetária realizando de imediato parte relevante do movimento da taxa básica de juros, sem prejuízo para o cumprimento da meta para a inflação”, disse a nota que acompanhou o anúncio da deliberação do colegiado.

A decisão, que surpreendeu as expectativas dos analistas, não foi unânime, marcando placar de cinco votos contra três, que defendiam um corte de 75 pontos-base.

Balanço de riscos

O resultado mostra uma autoridade bastante focada nos impactos da crise internacional de crédito na atividade econômica brasileira, contudo, sem deixar de ressaltar a costumeira preocupação com uma eventual deterioração do cenário inflacionário do País.

A ata do último encontro do comitê, realizado nos dias 9 e 10 de dezembro, já revelava um colegiado temeroso com o agravamento da situação econômica mundial e suas repercussões sobre as economias emergentes, ao mesmo tempo em que a percepção para a trajetória dos preços vinha se tornando mais amena.

Postura agressiva não era descartada

Embora a decisão tenha pego de surpresa os especialistas, algumas instituições não descartavam uma postura mais agressiva do comitê. A SulAmérica Investimentos, por exemplo, destacou a recente queda no consumo, para ela, reflexo da contração do crédito e da diminuição da confiança dos consumidores, além de lembrar que o efeito líquido da crise tem se traduzido em arrefecimento das pressões inflacionárias.

Continua depois da publicidade

“Este contexto não deixa dúvidas quanto à trajetória de queda da Selic, deixando entreaberto, inclusive, a possibilidade de o Copom surpreender com um corte mais agressivo do que o imaginado pelo mercado”, já previa a instituição no início da semana.

O cenário destacado pelo Barclays também enfatizava uma maior preocupação com a deterioração econômica na medida em que a inflação vinha dando sinais de arrefecimento.