Copom sinaliza aperto monetário, em ata repleta de temor inflacionário

Comitê afirma que medidas macroprudenciais podem preceder ações convencionais, enquanto avalia dinâmica interna e externa

Por  Giulia Santos Camillo

SÃO PAULO – Com considerações importantes sobre a inflação e sinalizando a proximidade de um novo aperto monetário, o Copom (Comitê de Política Monetária) divulgou nesta quinta-feira (16) a ata de sua última reunião, realizada nos dias 7 e 8 de dezembro. Na ocasião, o Comitê decidiu por manter a taxa Selic em 10,75% ao ano, por unanimidade e sem viés.

No documento que detalha a percepção do Copom, a inflação aparece como ponto principal a ser considerado, influenciada não apenas pela dinâmica interna, mas também pela injeção de liquidez no plano internacional – ainda que não cite eventos, a autoridade monetária faz referência à segunda rodada de estímulos adotados nos Estados Unidos. O recente aumento do compulsório também foi abordado.

 

Sinalização de alta do juro
Diante desse cenário, o Copom sinalizou claramente a iminência de uma alta no juro básico brasileiro. Além de ser categórico nas afirmações de que há risco para a concretização do cenário inflacionário benigno, o Comitê frisou que, embora haja equivalência entre ações macroprudenciais e ações convencionais de política monetária, não há respaldo para que esses instrumentos sejam vistos como substitutos perfeitos.

Dessa forma, segundo a ata, “o Copom entende que, a depender das circunstâncias, ações macroprudenciais podem preceder ações convencionais de política monetária”.

Inflação
Em relação à pressão inflacionária, o Comitê ressaltou ainda o forte impacto da dinâmica dos preços de alimentos e o descompasso entre as taxas de crescimento da oferta e da demanda. Nesse contexto, foi introduzida na ata a afirmação de que “o Comitê identifica riscos à concretização de um cenário em que a inflação convirja tempestivamente para o valor central da meta”.

 

Medidas macroprudenciais
Por outro lado, o Copom considerou que os efeitos do ciclo de aperto interrompido em julho deste ano “ainda não foram integralmente transmitidos à dinâmica dos preços”, destacando também que espera a moderação no ritmo de expansão do crédito após a introdução de iniciativas macroprudenciais. Nesse caso, a referência é sobre o aumento do compulsório recentemente anunciado.

A decisão de manutenção do juro básico brasileiro deve-se, segundo à ata, à percepção dos membros do Comitê de que “será necessário tempo adicional para melhor aferir os efeitos dessas iniciativas sobre as condições monetárias”.

Cenário externo preocupa
Além da dinâmica interna, os acontecimentos internacionais também foram frisados no documento. Junto com o aumento da liquidez global e as “perspectivas de que o processo possa eventualmente se acentuar”, os membros do Comitê também consideraram a elevação das pressões inflacionárias em economias relevantes e o arrefecimento das preocupações com a perspectiva de inflação em outras.

Outro ponto ressaltado foi o crescimento das preocupações com a desaceleração da China e com a crise fiscal de países europeus, ao mesmo tempo em que persistiram as dúvidas sobre a sustentabilidade da recuperação norte-americana.

Próxima reunião
Ficou decidido então que o Comitê irá “acompanhar atentamente a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária”. O próximo encontro acontece nos duas 18 e 19 de janeiro de 2011.

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