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SÃO PAULO – O Copom (Comitê de Política Monetária) reduziu o ritmo de afrouxamento monetário e cortou a taxa Selic em 0,25 ponto percentual na noite desta quarta-feira (29), para 13,50% ao ano.
A decisão contraria a expectativa predominante – de uma redução de 50 pontos-base -, conforme evidenciado pela mediana das projeções do relatório Focus da última segunda-feira.
Desde que o Copom iniciou o atual ciclo de reduções do juro básico, em setembro de 2005, houve onze diminuições consecutivas da Selic, totalizando 6,25 pontos percentuais.
Mas também não é surpresa
Muito embora vá de encontro com aposta majoritária do mercado, a decisão não chega a ser tão surpreendente, posto que o próprio colegiado do Banco Central já havia sinalizado esta possibilidade. Na ata de sua última reunião, o comitê voltou a salientar que suas próximas decisões seriam conduzidas com maior parcimônia.
Em complemento, o colegiado vem alertando que, em suas duas últimas reuniões, seria condizente um corte de 0,25 ponto percentual no juro. Mas, devido a uma série de notícias positivas entre reuniões, uma redução maior foi viabilizada.
Contudo, desde o último encontro do Copom, não houve surpresas tão agradáveis quanto outrora. Dessa forma, a hipótese de um corte menor da Selic – que acabou se concretizando – também era cogitada.
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Inflação corrente é benigna
O espaço para manutenção do ciclo de afrouxamento do torniquete monetário apóia-se, sobretudo, na inflação corrente benigna e nas perspectivas de inflação controladas.
Mesmo diante de certa escalada dos preços no início do mês, como ilustrado pelas prévias de novembro dos IGPs, a evolução da inflação corrente não preocupa. No acumulado de janeiro até outubro, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo) mostra variação positiva de 2,33%, apontando para o cumprimento da meta para o ano – 4,5% – com tranqüilidade.
Ademais, economistas salientam que a aceleração recente da inflação é pontual, estando bastante relacionada ao grupo de alimentos, sem grande contágio sobre os demais preços da economia.
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Controlando a inércia
Muito embora a inflação corrente exerça, neste momento, pouca influência sobre as decisões do Copom, dado que qualquer medida de política monetária impactará apenas sobre 2007, o comportamento benigno do nível corrente de preços ameniza as preocupações com a inércia inflacionária para o próximo ano.
Outro aspecto que corrobora a percepção diz respeito às expectativas de inflação. A mediana das projeções do boletim Focus indica uma variação do IPCA de 4,10% em 2007, também abaixo da meta pré-estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, de 4,5%.