Copom: prudência tem papel importante em momentos de riscos inflacionários

Enfatizando elevação de riscos de inflação, ata diz que espaço para juro menor dependerá de inflação dentro da meta

Por  Juliana Pall Farias -

SÃO PAULO – O Comitê de Política Monetária do Banco Central – Copom – divulgou nesta quinta-feira, dia 25 de outubro, a ata da reunião realizada nos dias 16 e 17 deste mês, quando a autoridade monetária pôs fim ao ciclo de cortes na taxa básica de juro brasileira iniciado em setembro de 2005, ao manter a Selic em 11,25% ao ano.

Explicando a decisão, unânime entre seus sete membros votantes, o Copom expôs que, visando consolidar um ambiente de estabilidade e previsibilidade, tem optado por uma estratégia que procura evitar uma trajetória inflacionária volátil. Assim, diante das incertezas associadas ao mecanismo de transmissão da política monetária e ao ritmo de crescimento prospectivo da oferta e demanda agregadas, o comitê pausou o processo de flexibilização da política monetária.

“A prudência passa a ter papel ainda mais importante, dentro desse processo, em momentos, como atualmente, nos quais a deterioração do balanço dos riscos inflacionários reduz a margem de segurança da política monetária”, diz a ata.

Demanda aquecida e inflação em foco

O Copom avalia que se elevou a probabilidade de que a emergência de pressões inflacionárias inicialmente localizadas venha a apresentar riscos para a trajetória da inflação doméstica, uma vez que o aquecimento da demanda pode ensejar aumento no repasse de pressões sobre preços no atacado para os preços ao consumidor.

Avaliando o setor externo como efeito “moderador” da inflação doméstica, a autoridade monetária afirma na ata que a contribuição deste para um cenário inflacionário benigno, ainda que aparentemente não constitua risco iminente para as perspectivas de preços, pode estar se tornando menos efetiva diante do forte ritmo de expansão da demanda doméstica, em um momento no qual os efeitos do investimento sobre a capacidade produtiva da economia ainda precisam se consolidar.

“O comitê reconhece a contribuição do investimento, ampliando a capacidade produtiva, e do setor externo para mitigar pressões inflacionárias, mas avalia que o ritmo de expansão da demanda doméstica, que deve continuar sendo sustentado, entre outros fatores, pelo impulso derivado do relaxamento da política monetária implementado neste ano, continua podendo colocar riscos não desprezíveis para a dinâmica inflacionária”, diz a ata do último encontro do Copom.

No que diz às perspectivas futuras de preços, o comitê diz que a elevação das expectativas de inflação para 2008, ainda que este movimento tenha se estabilizado nas últimas semanas em patamar inferior à meta para o ano, “é processo que deve ser monitorado com atenção”.

Juros menores no futuro

A ata ainda traz que “o espaço para que observemos juros reais menores no futuro continuará se consolidando de forma natural”, como conseqüência à melhora de percepção de que as taxas de inflação seguem consistentes com a trajetória de metas.

No que diz respeito ao cenário externo, o Copom avalia que, a despeito da maior incerteza sobre a continuidade do rápido crescimento da economia internacional observado nos últimos anos e da volatilidade que vem caracterizando os mercados globais nos últimos meses, as perspectivas de financiamento externo para a economia brasileira sugerem que o balanço de pagamentos não deve apresentar risco iminente para o cenário inflacionário.

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Por outro lado, estão emergindo sinais que podem apontar para a intensificação de riscos inflacionários em escala global, como indica o comportamento dos preços de certas matérias primas. “Dessa forma, ainda que permaneçam consistentes com a trajetória de metas, as perspectivas para a inflação estão cercadas por maior incerteza”.

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