Copom: política monetária pode ser conduzida com maior parcimônia

Na ata de sua última reunião, comitê destacou que a elevação das expectativas de inflação deve ser monitorada

Publicidade

SÃO PAULO – O Comitê de Política Monetária do Banco Central – Copom – divulgou nesta quinta-feira, dia 26 de julho, a ata da reunião realizada nos dias 17 e 18 deste mês, quando a autoridade monetária reduziu a taxa básica de juro brasileira, a Selic, em 50 pontos-base, para 11,50% ao ano, seu menor patamar desde a criação do comitê.

Explicando sua decisão, o Copom expôs que três dos sete membros do comitê que votaram por um corte menor na taxa – de 25 pontos-base – entendem que diante da extensão do processo de flexibilização já implementado e das incertezas remanescentes quanto aos impactos defasados deste processo, a desaceleração do ritmo de redução da taxa básica de juros para 25 pontos-base contribuiria para estender no tempo o processo de flexibilização.

Contudo, os demais quatro votantes avaliaram que a contribuição do setor externo para a consolidação de um cenário benigno para a inflação no horizonte de projeção mitiga riscos presentes no cenário prospectivo para a inflação. Assim, o balanço de riscos para a evolução da trajetória futura da inflação ainda justificaria reduzir a taxa básica de juros em 50 pontos-base.

Flexibilização pode ser conduzida com maior parcimônia

Para o colegiado, desde sua última reunião, as influências de fatores externos e internos sobre o balanço de riscos para a trajetória esperada da inflação continuaram atuando em direções o postas. “O setor externo, que vem contribuindo de forma importante para ampliar a oferta agregada, continua tendo influência predominantemente benigna sobre as perspectivas para a inflação, ao passo que o ritmo de expansão da demanda doméstica pode vir a colocar riscos para a dinâmica inflacionária”, disse a Ata.

Assim, tendo em vista a aproximação progressiva entre a taxa básica de juros corrente e as taxas de juros que deverão vigorar em equilíbrio no médio prazo e os cortes já implementados desde setembro de 2005, os membros do Copom entendem que “a preservação das importantes conquistas obtidas no combate à inflação e na manutenção do crescimento econômico, com geração de empregos e aumento da renda real, demandará que, a partir de um determinado ponto, a flexibilização da política monetária passe a ser conduzida com maior parcimônia”.

Mais uma vez os membros votantes destacaram a defasagem entre a implementação da política monetária e seus efeitos sobre o nível de atividade e sobre a inflação, na crença de que as decisões de política monetária terão efeitos limitados sobre 2007, e passarão a ter impactos predominantemente sobre 2008. “Dessa forma, a avaliação de decisões alternativas de política monetária deve se concentrar, necessariamente, na análise do cenário prospectivo para a inflação e nos riscos a ele associados, em vez de privilegiar os valores correntes observados para essa variável”, trouxe a ata do Copom.

Continua depois da publicidade

Metas para inflação

O Copom avalia que a emergência de pressões inflacionárias globais ainda não apresenta riscos para a trajetória de inflação doméstica no curto prazo, mas o aquecimento da demanda poderia ensejar aumento no repasse de pressões sobre preços no atacado para os preços ao consumidor.

Na ata de sua última reunião, o colegiado também destacou que a elevação das expectativas de inflação para 2007 e para os próximos doze meses, ainda que para níveis inferiores à meta estabelecida para 2007 e 2008, é processo que deve ser monitorado. “Os dados referentes à atividade econômica apontam para um fortalecimento possivelmente mais intenso da expansão da demanda, mas ainda não sugerem uma probabilidade elevada de que observemos pressões significativas sobre a inflação no curto prazo”.

Ressaltando que as perspectivas para a trajetória da inflação permanecem benignas, o colegiado afirma que a combinação de vultosos superávits comerciais com crescente atração de fluxos de capitais sugere que o balanço de pagamentos deve continuar tendo desempenho robusto. Segundo os membros do Copom, além da expansão do investimento, o crescimento das importações permite que os efeitos inflacionários do crescimento sustentado da demanda agregada continuem sendo limitados.