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SÃO PAULO – A edição de 10 de dezembro do relatório Focus mostrou elevação das projeções para a taxa Selic. A mediana das estimativas do boletim para o juro básico brasileiro ao final de 2008 passou de 10,25% para 10,50% ao ano.
Mais pessimistas, alguns economistas já esperam a manutenção da Selic em 11,25% ao ano por todo 2008, enquanto outros consideram até a possibilidade de adoção de uma política monetária mais restritiva.
Como motivação para a revisão recente de expectativas, sinalizações do próprio Copom (Comitê de Política Monetária), evidências de aceleração inflacionária e perspectivas de um real mais fraco no próximo ano.
Copom e sua parcimônia
Quando da última reunião do Copom, o colegiado retirou do comunicado que acompanha a decisão sobre o juro básico a expressão “pausa no ciclo de afrouxamento monetário”, sugerindo maior demora para a retomada dos cortes na Selic.
Diante de um choque nos alimentos, diversos índices de preço já vinham mostrando aceleração, resultando em deterioração das expectativas de inflação. A resposta da autoridade monetária foi instantânea.
E as leituras mais recentes dos índices de preço vieram para reforçar a apreensão. Publicado nesta quinta-feira (20), o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15) marcou alta de 0,70% em dezembro, após avanço de 0,23% na aferição anterior.
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No mesmo sentido, a segunda prévia de dezembro do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) mostrou inflação de 1,45%, frente à alta de 0,48% na medição anterior.
A antiga âncora
Do lado do câmbio, também não vêm notícias em prol da flexibilização monetária. Âncora inflacionária nos últimos anos, o dólar pode cumprir um outro papel em 2008. Analistas identificam pouco espaço para nova apreciação do real no próximo ano, sendo, inclusive, ventilada a hipótese de alta do dólar.
Na Nota do Setor Externo referente a novembro, o Banco Central mostrou um déficit em transações correntes superior a US$ 1 bilhão, além de ter projetado um saldo negativo para esta conta em 2008. A deterioração no item serviços e o aumento das importações devem prejudicar as contas externas brasileiras, muito embora o cenário ainda seja de relativa tranqüilidade.
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Junte isso à heterodoxia
Não bastassem as condições macroeconômicas um pouco menos favoráveis, sobram dúvidas em torno da criação do fundo soberano brasileiro e suas conseqüências sobre a taxa de câmbio.
Negligenciar pressões inflacionárias em um contexto de força da demanda agregada pode implicar prejuízos à frente. Este comportamento não parece se alinhar à parcimônia do Copom.