Copom não surpreende e corta Selic em 75 pontos básicos, para 16,5% ao ano

Sexta redução consecutiva na taxa de juro veio em linha com o esperado e sinaliza manutenção da postura conservadora

Publicidade

SÃO PAULO – O Copom (Comitê de Política Monetária) reduziu a taxa Selic em 0,75 ponto percentual nesta quarta-feira, para 16,5% ao ano. Este foi o sexto corte no juro básico da economia brasileira desde o início do processo de afrouxamento monetário, em setembro de 2005.

A decisão do colegiado não surpreende o mercado, que, de acordo com a mediana das projeções do relatório Focus do Banco Central, já esperava uma redução desta magnitude.

Cabe observar, no entanto, que nas últimas semanas ganhara força a aposta em uma eventual aceleração do processo de afrouxamento monetário. A hipótese de um corte de 1 ponto percentual chegou a ser ventilada, diante dos sinais de menor inflação em fevereiro e manutenção da tendência de apreciação do real.

Conservadorismo

Mais uma vez parece ter pesado a preocupação do BC quanto à cautela. A instituição visa a convergência da inflação esperada e corrente ao centro da meta pré-estabelecida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional): 4,5% para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo) de 2006.

Em adição, a recente escalada no rendimento dos Treasuries de 10 anos, referência para o juro de longo prazo nos EUA, e a perspectiva de que o Federal Reserve possa estender seu ciclo do aperto monetário reduziram a margem de manobra do Copom, dificultando a adoção de uma Selic menos restritiva.

Retomada da atividade

Indicadores publicados desde a reunião anterior do Copom dão sinais de aceleração do crescimento econômico doméstico. Exemplo claro nos dados da produção industrial paulista de janeiro, que mostraram uma expansão acima da esperada pelo mercado.

Continua depois da publicidade

Com base nesses sinais, o colegiado do Banco Central parece ter preferido esperar por novas evidências que ilustrem a efetiva transmissão da política monetária ao nível de atividade para então promover uma eventual mudança na velocidade do corte nos juros.